Kadafi 'está armando voluntários', diz Pentágono

Segundo governo líbio, 114 morreram vítimas dos ataque das forças de coalizão até quarta-feira

BBC Brasil |

Um representante do Pentágono disse nesta sexta-feira que os Estados Unidos tiveram acesso a informações que indicam que o líder líbio, Muamar Kadafi, está dando armas a voluntários para enfrentar os rebeldes que controlam parte do país.

Reuters
Imagens mostram momento em que taques líbios foram destruídos por ataques britânicos
“Não tenho certeza (...) se eles são voluntários de verdade ou não, e não sei quantos dessas pessoas ele (KAdafi) conseguirá recrutar, mas eu acho interessante que ele sinta a necessidade de buscar reforços civis”, disse o vice-almirante William Gortney em uma coletiva em Washington.

Gortney disse que a ofensiva militar contra a Líbia reduziu a habilidade de Kadafi de comandar suas tropas pelo país, mas advertiu que as forças leais ao regime líbio ainda representam uma ameaça significativa.

Ele também ressaltou que os Estados Unidos estão usando “todas as ferramentas disponíveis” para cortar as comunicações entre Trípoli e as forças aliadas a Kadafi que estão combatendo os rebeldes no país.

Otan
Após quase uma semana do início dos ataques da coalizão internacional contra a Líbia, a Otan, que deve assumir nos próximos dias o comando da missão para manter a zona de exclusão aérea no país, indicou um general canadense para comandar as operações.

O general Charles Bouchard irá comandar as patrulhas e o monitoramento do espaço aéreo líbio, além das patrulhas na costa do país, no Mar Mediterrâneo.

Os Estados Unidos, que lideram atualmente a missão, devem continuar comandando as operações em terra contra as forças de Khadafi.

Na última quinta-feira, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, já havia anunciado que a aliança assumiria o controle da ofensiva militar internacional na Líbia. A mudança do comando poderia ocorrer já neste fim de semana.

Também nesta sexta-feira, o Catar se tornou o primeiro país árabe a participar da operação militar na Líbia. Dois caças do país sobrevoaram o espaço aéreo líbio acompanhados de aviões franceses em uma missão de monitoramento da zona de exclusão aérea.

Combates
Enquanto isso, os combates prosseguem no país. Há relatos de explosões na cidade de Ajdabiya, no leste do país, onde os rebeldes disputam o controle com as forças leais a Kadafi.

AFP
Avião do Catar decola em Souda Bay, na Grécia, para participar de ação militar na Líbia
O correspondente da BBC Ian Pannell disse que era possível observar a fumaça de explosões nos arredores de Ajdabiya e que os sons de explosões eram constantes. “

Segundo ele, jatos britânicos atacaram tropas do governo na noite de quinta-feira, o que deu força aos rebeldes. Sem isso, eles estariam em desvantagem de armamentos e impossibilitados de lutar pelo controle da cidade, disse Pannell. Neste sexta-feira também foi o primeiro dia de ataques de forças do Catar .

O Pentágono também informou que a coalizão internacional bombardeou alvos do regime nos arredores da capital, Trípoli, e em Sabha (centro-oeste do país).

Em Misrata (oeste), um médico disse, em depoimento à BBC, que as tropas de Kadafi estão sitiando a cidade e preparando uma invasão. 

Mortes

Pelo menos 114 pessoas morreram e 445 ficaram feridas até quarta-feira nos bombardeios da coalizão internacional sobre a Líbia, anunciou nesta sexta-feira à noite uma autoridade do Ministério da Saúde líbio, sem especificar quantas delas eram civis. "De 20 a 23 de março, 114 pessoas morreram e 445 ficaram feridas nos bombardeios" da coalizão, declarou Khaled Omar durante uma entrevista coletiva à imprensa.

Perguntado sobre as vítimas civis, declarou que "não era da incumbência de (seu) ministério fazer uma distinção entre vítimas civis ou militares". Segundo Omar, 104 pessoas morreram em Trípoli e nas imediações e dez em Sirte, cidade natal de Muamar Kadhafi, mais de 600 km a leste de Trípoli.

Um primeiro registro anunciado na quinta-feira pelo porta-voz do regime, Musa Ibrahim, indicou "cerca de 100 mortos" entre os civis.

* com AFP

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