Kadafi diz ser 'amado' e nega protestos em Trípoli

Em meio aos protestos, presidente da Líbia diz que população do país é capaz de morrer para protegê-lo

iG São Paulo |

O líder líbio, Muamar Kadafi, afirmou em entrevista à BBC nesta segunda-feira que "é amado por todo o seu povo" e se recusou a admitir que há protestos contra o governo na capital do país, Trípoli. Kadafi, que está no poder na Líbia desde 1969, disse que a população líbia é capaz de morrer para protegê-lo.

Durante a entrevista, Kadafi voltou a dizer que os manifestantes de seu país estão armados e sob a influência de drogas fornecidas pela Al-Qaeda. Ele disse também que deu ordens a seus apoiadores para que não atirem contra os manifestantes.

Os dois lados na crise líbia estão entrincheirados em suas posições nesta segunda-feira, com seu desfecho podendo depender de quem pode aguentar a situação por mais tempo. Os oponentes de Kadafi, incluindo unidades desertoras do Exército, têm sob seu controle quase toda a metade oriental do país, a maior parte da infraestrutura de petróleo e algumas cidades no oeste.

Kadafi está em Trípoli e em cidades próximas, apoiado por forças de segurança e milicianos que usualmente são mais bem armados do que o Exército.

Na tentativa de manter-se no poder, Kadafi aumentou a repressão em seu reduto na capital do país, impedindo uma tentativa de novos protestos, ao mesmo tempo em que escolheu o chefe da inteligência internacional da Líbia, Bouzaid Dordah, para conversar com os líderes do novo governo da região leste. Um porta-voz do recém-formado Conselho Nacional da Líbia, sediado na cidade de Benghazi, cidade que está sob controle dos rebeldes, disse no domingo que não via espaços para negociar com Kadafi.

Na região de Edjibiya, um avião da Força Aérea líbia, que é fiel ao líder líbio, bombardeou um depósito de armas perto do quartel de Hania, na região de Edjibiya, a cerca de 200 quilômetros a oeste de Benghazi, informou a Al-Jazeera. Edjibiya é uma localidade litorânea entre Benghazi e Sirte, a cidade natal de Kadafi, ainda em poder das forças governistas, para onde no domingo foram enviadas mais tropas e milícias.

Os rebeldes que pegaram em armas afirmaram que a região compreendida entre Edjibiya e a fronteira com o Egito está totalmente em seu poder. Foi nessa região que, em 23 de fevereiro, um avião militar líbio Sukhoi-22 das forças fiéis a Kadafi caiu depois que o piloto e o copiloto se lançaram de paraquedas por se recusar a bombardear Benghazi.

Na região de Edjibiya encontra-se um quartel da aviação militar líbia, cujos oficiais e soldados anunciaram há poucos dias que se somavam aos rebeldes.

Ofensiva rebelde

Do lado opositor, rebeldes líbios abateram nesta segunda-feira um avião militar, em meio aos combates pelo controle de Misrata (200 quilômetros a leste de Trípoli), terceira maior cidade do país, segundo testemunhas.

Com apoio de militares que romperam com o governo, os rebeldes resistem às investidas das forças governamentais em Misrata e em Zawiyah (50 quilômetros a oeste), onde há uma refinaria estratégica.

"Um avião foi abatido quando estava bombardeando a emissora de rádio local. Os manifestantes capturaram os tripulantes", disse uma testemunha à Reuters por telefone. Segundo essa fonte, há confrontos pelo domínio de uma base aérea. "As forças de Kadafi controlam só uma pequena parte da base. Os manifestantes controlam uma parte grande, na qual há munição."

Estima-se pelo menos 2 mil tenham morrido na Líbia em cerca de duas semanas de protestos contra Kadafi. O Conselho de Segurança da ONU impôs sanções ao regime, como um embargo de armas e congelamento de bens, além de alertar que os responsáveis pela violência contra civis serão submetidos à justiça internacional. Além das sanções da ONU, EUA e União Europeia também impuseram sanções ao regime.

Com BBC

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