Declaração ocorre um dia após EUA reconhecerem grupo de oposição da Líbia como governo legítimo. Rebeldes fazem nova ofensiva

O líder da Líbia, Muamar Kadafi, reiterou neste sábado durante uma manifestação pró-governo realizada em Al Zawiya que o povo líbio "não se rendeu e não vai se render até o dia do juízo final". Em declarações à agência de notícias líbia "Jana", Kadafi, que está há mais de 40 anos no poder, também qualificou as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de "infiéis e cruzados". Os EUA e outros países reconheceram formalmente nesta sexta-feira o Conselho Nacional de Transição (CNT) - principal grupo de oposição da Líbia - como governo legítimo do país do norte da África até que uma nova autoridade interina seja criada.

Coincidindo com uma nova ofensiva dos rebeldes contra o enclave petroleiro de Briga no leste da Líbia, Kadafi afirmou que "o líbio que carrega a bandeira monárquica (oficial na Líbia até 1969 e agora está nas mãos dos rebeldes) (..) não tem dignidade, nem família, nem tribo. Não tem religião, nem valores. Não é um homem e a morte é o melhor para ele". Além disso, o líder líbio mobilizou as brigadas de mulheres para combater à Otan e ressaltou dirigindo-se aos participantes do protesto: "quem os combate, mesmo sendo líbio, soldado da França, da Itália, do Reino Unido, é seu escravo, seu mercenário, é um cristão embora não pratique o cristianismo, trata-se de um cruzado".

A decisão dos Estados Unidos de declarar o regime de Muamar Kadafi não mais legítimo potencialmente abrirá caminho para que os rebeldes recebam auxílio financeiro de que urgentemente necessitam.

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