Kadafi diz a rebeldes que proteção da Otan 'não vai durar'

Em discurso nesta terça-feira, Obama deve reafirmar apoio internacional aos rebeldes na reconstrução da Líbia

iG São Paulo |

A TV síria Arrai divulgou nesta terça-feira uma mensagem de áudio do líder deposto da Líbia, Muamar Kadafi, na qual ele alerta seus opositores de que a proteção da Otan (a aliança militar do ocidente) não vai durar para sempre. A afirmação é feita horas antes de um pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no qual deve reafirmar apoio internacional ao novo governo do país durante a transição para a democracia.

A mensagem de Kadafi foi gravada em data e local desconhecidos, já que o líder deposto está foragido desde que forças rebeldes conquistaram o controle de Trípoli, a capital, em agosto.

"Não comemorem e não acreditem que um regime foi derrubado e outro imposto com a ajuda de ataques aéreos e marítimos. As bombas dos aviões da Otan não vão durar", disse a mensagem do coronel. "O sistema político na Líbia é baseado no poder das pessoas. É impossível remover este regime."

AP
Bandeira da Líbia pré-Kadafi, usada pelos rebeldes, é vista em frente à sede da ONU em Nova York

Nesta terça-feira representantes dos EUA e aliados se encontram para discutir na ONU a Líbia pós-Kadafi. Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, disse que o encontro "confirmaria o início de uma nova fase que começou com o encontro de Paris e será o princípio de um papel maior nas Nações Unidas".

Juppé disse, segundo a agência AFP, que um dos objetivos do encontro seria a criação do grupo Amigos da Líbia para substituir o Grupo de Contato, criado em Londres no dia 29 de março. O grupo congrega cerca de 30 países e organizações internacionais como a ONU, Otan e a Liga Árabe.

Durante a reunião, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve anunciar a volta do embaixador americano à Trípoli. Além disso, segundo trechos de seu discurso antecipados pela Casa Branca, Obama dirá que levará tempo até que a Líbia "construa instituições democráticas".

"Alguns dias serão de frustração. Mas se aprendemos algo nos últimos meses, foi o seguinte: não subestimar as aspirações e a vontade do povo líbio", afirmará.

"Assim como o mundo esteve com vocês em sua luta por liberdade, estará com vocês em sua luta pela paz e prosperidade que a libertdade pode trazer", acrescenta o texto.

Mercenários

Nesta terça-feira, continuam os combates pelo controle de Ban Walid e a cidade natal de Kadafi, Sirte. Oposicionistas lançaram ofensivas para conquistar Ban Walid na quinta-feira e sexta-feira, mas foram repelidos após encontrarem forte resistência.

Países ocidentais e o CNT (Conselho Nacional de Transição, órgão político dos rebeldes) negaram as declarações do porta-voz de Kadafi de que 17 mercenários estrangeiros teriam sido capturados em combates recentes.

Na segunda-feira, Moussa Ibrahim, porta-voz do coronel Kadafi, disse que os mercenários seriam "técnicos e consultores", em sua maioria franceses, um de um país asiático não especificado, dois ingleses e um do Catar.

Mas Juppé disse que não há "mercenários franceses na Líbia" e a chancelaria britânica afirmou não possuir informações sobre a veracidade das informações. A Otan disse não ter tropas no solo líbio.

Com AP e BBC

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