Kadafi deve reconhecer que seu governo chegou ao fim, diz Obama

Após rebeldes avançarem em Trípoli, países europeus pedem que líder líbio deixe o poder para evitar mais mortes

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, afirmou na noite deste domingo que o líder libio Muamar Kadafi precisa admitir que seu governo chegou ao fim, após rebeldes terem tomado o controle de grande parte da capital , Trípoli. "Kadafi precisa reconhecer a realidade de que ele não controla mais a Líbia", disse Obama, em comunicado. "Ele precisa abandonar o poder de uma vez por todas."

Obama reforçou que o governo americano reconhece o Conselho Nacional de Transição dos rebeldes como a autoridade de governo legítima da Líbia. O presidente americano pediu que o grupo demonstre a liderança necessária para conduzir o país, com respeito aos direitos do povo líbio, evitando a violência contra civis, protegendo as instituições do Estado e buscando uma democracia que seja justa e inclusiva para todos os líbios.

As declarações de Obama seguiram as de diversos líderes mundiais, que fizeram apelos para que Kadafi deixe o poder imediatamente. O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que o governo líbio precisa admitir que não tem como vencer essa guerra.

"O regime de Muamar Kadafi está claramente desmoronando. O quanto antes ele perceber que não pode vencer essa batalha contra seu próprio povo, melhor. Porque assim o povo líbio não precisa continuar a enfrentar mais derramamento de sangue e sofrimento", disse Rasmussen.

A chanceler alemã, Angela Merkel, também intensificou a pressão internacional sobre o regime líbio. "Kadafi perdeu sua legitimidade e seria bom que deixasse o poder o quanto antes, assim poderíamos evitar mais mortes", afirmou.

"Os rebeldes fizeram grandes avanços. A Alemanha trabalha com o grupo de transição da Líbia e já abrimos uma representação (diplomática) em Benghazi. E vamos continuar a apoiar o povo líbio", completou a chanceler.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também pediu que Kadafi poupasse a população, deixando o governo imediatamente. "A França apoia totalmente a libertação da Líbia desse regime opressivo e ditatorial."

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, que interrompeu suas férias na região da Cornualha para retornar a Londres e presidir uma reunião sobre a situação na Líbia, afirmou que as cenas em Trípoli deixam claro que "o fim está próximo para Kadafi". "Ele cometeu crimes terríveis contra o povo da Líbia e precisa sair já para evitar mais sofrimento de seu próprio povo", disse.

Em entrevista na noite deste domingo, o porta-voz do governo líbio, Moussa Ibrahim, ameaçou líderes internacionais. "Consideramos os senhores Obama, Cameron e Sarkozy moralmente responsáveis por qualquer morte desnecessária que ocorra neste país", afirmou.

Uma das poucas vozes de apoio a Kadafi veio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "Hoje estamos vendo imagens de como os governos democráticos europeus e o supostamente democrático governo dos Estados Unidos estão praticamente demolindo Trípoli com suas bombas", disse.

"Hoje eles jogaram não sei quantas bombas e eles as estão jogando indiscriminadamente e abertamente sobre escolas, hospitais, casas, negócios, fábricas, fazendas. E pedimos a Deus para trazer paz ao povo líbio e ao povo do mundo", afirmou.

Avanço rebelde

De acordo com o representante do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes) no Reino Unido, Mahmoud Nacua, nesta segunda-feira a oposição controla 95% da capital.

Vindos do mar a partir de Misrata, a 200 km a leste de Trípoli, e por terra a partir das cidades conquistadas no oeste do país, centenas de rebeldes líbios entraram na capital desde sábado . Confrontos intensos ocorreram em diversos pontos da cidade, de acordo com jornalistas que viajam com os rebeldes.

Segundo o Ministro da Informação líbio, Moussa Ibrahim, os confrontos em Trípoli deixaram 1,3 mil mortos e 5 mil feridos. A informação não pôde ser confirmada por fontes independentes.

Nesta segunda-feira, combates violentos explodiram em Trípoli em volta do quartel-general do líder líbio. Não há informações sobre se Kadafi está no local ou sobre qual seria seu paradeiro.

Com BBC

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