Kadafi ameaça Europa com onda de imigrantes líbios e Bin Laden

'Milhares de pessoas irão invadir a Europa a partir da Líbia. E não haverá ninguém para detê-las', advertiu

iG São Paulo |

O coronel Muamar Kadafi alertou neste domingo para o fantasma da imigração em massa para a Europa, ao afirmar que "milhares invadirão a Europa a partir da Líbia" sem "ninguém para detê-las", em uma entrevista ao semanário francês "Le Journal du Dimanche".

Kadafi advertiu: "Se nos ameaçarem, se nos desestabilizarem, iremos à confusão, a Bin Laden, a grupos armados. Vocês terão imigração, milhares de pessoas que invadirão a Europa a partir da Líbia. E não haverá ninguém para detê-las."

"Bin Laden virá se instalar na África do Norte. Vocês terão Bin Laden às suas portas", ameaçou, reafirmando sua tese de uma conspiração da Al-Qaeda contra seu regime e negando qualquer caráter de revolta democrática da insurreição contra ele.

"Haverá uma jihad islâmica diante de vocês, no Mediterrâneo. Eles atacarão a 6ª frota americana, haverá atos de pirataria aqui, às suas portas, a 50 km de suas fronteiras. Os homens de Bin Laden vão cobrar resgates em terra, em mar. Será realmente uma crise mundial e uma catástrofe para todo o mundo. Eu não deixarei isso ser feito."

O líder líbio afirmou, com base em suas teses, ter sido informado por seus serviços secretos de que "os homens da Al-Qaeda já entraram em contato com Dako Amirov, que é o líder da jihad na Rússia". "Sabemos que esses contatos existem e há negociações para que eles venham ajudá-los aqui na Líbia", disse.

"Fico realmente surpreso que não se entenda que o que ocorre aqui (na Líbia) é uma luta contra o terrorismo", acrescentou. "Por que quando estamos em combate ao terrorismo aqui na Líbia não vêm nos ajudar?", indagou Kadafi, ao destacar que, nos últimos anos, seu país cooperou muito no assunto com outros países.

Ele advertiu que "haverá de fato uma crise mundial e uma catástrofe no mundo todo". "A Al-Qaeda deu instruções a suas células dormentes na Líbia para virem à tona", disse o coronel.

"Quando se deu a confusão na Tunísia e no Egito?", questionou o líder líbio. Para ele, "os jovens não conhecem a Al-Qaeda nem a ideologia dessa organização, mas os membros dessas células lhes dão até pílulas alucinógenas".

"Hoje, esses jovens tomaram gosto por essas pílulas e pensam que as metralhadoras são como fogos de artifício", acrescentou.

Kadafi quer uma investigação in loco "das Nações Unidas ou da União Africana". "Vamos permitir a essa comissão que verifique no terreno, sem nenhum obstáculo".

Retirada chinesa

Os últimos 149 chineses retirados da Líbia por causa da violência no país chegaram na noite de sábado a Xangai, completando assim a retirada de 35.860 pessoas, a maior já realizada pela China.

Na operação foram utilizados aviões civis e militares, cinco navios de carga e um navio de escolta (o primeiro da Armada chinesa que chega em missão ao Mar Mediterrâneo), disse neste domingo a agência oficial de notícias "Xinhua".

Também foram utilizados aviões estrangeiros para 35 voos fretados e 11 comerciais, além de 100 ônibus para transportar cidadãos chineses a países vizinhos da Líbia, para que de lá fossem levados à China.

Muitos dos chineses que saíram da Líbia fizeram escala em países próximos, como Malta, Grécia, Tunísia, Egito e Sudão, antes de retornar à China, em muitos casos com a cooperação das autoridades dessas nações.

O plano de retirada, iniciado em 22 de fevereiro, foi elogiado pela imprensa oficial da China ao ser apontado como exemplo da capacidade do país para enfrentar grandes emergências.

Muitos dos cidadãos chineses na Líbia trabalhavam em empresas petrolíferas ou de construção, que tiveram de paralisar suas operações no país por causa da mobilização social contra Kadafi. Algumas das companhias da China chegaram a sofrer ataques.

*Com EFE e AFP

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