Ditador reitera que não vai renunciar ao poder e propõe cessar-fogo

Em um discurso exibido pela televisão estatal neste sábado, Muamar Kadafi advertiu os países da Otan que atacam a Líbia de que a guerra pode chegar ao ocidente. Kadafi assinalou que "os líbios são livres para estender a guerra até o território do inimigo, têm a razão e eu não posso impor um veto se esta for sua decisão". O ditador também negou ter abandonado o país, reiterou que não vai renunciar ao poder, e ao mesmo tempo convidou França e Estados Unidos a negociar com ele uma solução para a crise.

Kadafi sublinhou que, se o petróleo for o motivo da agressão ocidental, "assinaremos contratos com suas empresas. Não precisamos de uma guerra para isso". O líder líbio acrescentou que ainda está disposto a um cessar-fogo: "A (Líbia) esteve pronta até agora para entrar em um cessar-fogo... mas o cessar-fogo não pode ser de uma só parte".

"Fomos os primeiros a dar as boas-vindas a um cessar-fogo e fomos os primeiros a aceitá-lo, mas o ataque cruzado da Otan não parou", disse o coronel. Kadafi também defendeu negociações com a Otan para pôr fim aos bombardeios aéreos sobre a Líbia. "Nós não os atacamos, nem cruzamos o mar. Por que nos atacam? Desejamos negociar com vocês, os países que nos atacam. Desejamos negociar", apontou.

No entanto, advertiu que, se os estados da Otan não querem dialogar, o povo líbio não se renderá e estará disposto a resistir ao que chamou de ataques "terroristas". Nesse sentido, Kadafi disse que os soldados da Otan morrerão se invadirem a Líbia por terra. "Ou a liberdade ou a morte. Nenhuma rendição. Nenhum medo. Nenhuma saída", assinalou o líder líbio, que denunciou que os ataques aéreos da Otan violam a resolução da ONU.

Kadafi discursa na TV estatal da Líbia neste sábado
AFP
Kadafi discursa na TV estatal da Líbia neste sábado
Por outro lado, incentivou os rebeldes a abandonarem as armas, já que, segundo sua opinião, os líbios não deveriam brigar entre si. "Não podemos lutar entre nós, somos uma família", indicou Kadafi.

Por fim, o coronel líbio afirmou que as forças leais ao seu regime estão lutando contra "grupos da Al Qaeda", e questionou: "estarão estes grupos dispostos a respeitar um cessar-fogo? Desafio a Aliança Atlântica a obrigar essa gente a um cessar-fogo".

Itália

No discurso, pronunciado por ocasião do centenário de uma batalha travada contra as forças italianas, Kadafi reprovou a decisão da Itália de voltar a lançar uma agressão contra a Líbia e empregar seu poderio militar para "matar líbios", segundo o texto divulgado pela agência oficial de notícias "Jana". "Onde estão o tratado de amizade e o acordo de não agressão? Onde está meu amigo Berlusconi? Onde está o Parlamento italiano?", questionou o coronel líbio.

* Com informações da AFP e da EFE

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