Justiça egípcia inicia julgamento contra 43 funcionários de ONGs

TV egípcia divulgou imagens ao vivo da audiência, quando o promotor mencionou as acusações contra os réus, 19 deles americanos

EFE |

A Justiça do Egito iniciou neste domingo o julgamento de 43 funcionários de ONGs, 19 deles americanos, com uma sessão procedimental para a leitura das acusações contra os réus e a apresentação das partes.

Mais Egito:  Egípcios marcam um ano da queda de Mubarak

EFE
Na cela, alguns dos acusados de criar a gerir ONGs sem autorização no Egito

A televisão estatal egípcia divulgou imagens ao vivo da audiência, na qual o promotor mencionou as acusações contra os réus, entre os quais há pessoas de diversas nacionalidades como egípcios, americanos, jordanianos, sérvios, alemães e noruegueses.

Um advogado da defesa, Sarwat Abd El-Shahid, disse que os réus pertencem a quatro ONGs americanas - Instituto Internacional Republicano, Instituto Nacional Democrata, Freedom House e Centro Internacional para Jornalistas - e a fundação alemã Konrad Adenauer.

Abd El-Shahid afirmou que os réus enfrentam duas acusações: "Criar e administrar uma organização internacional sem permissão das autoridades; e receber verbas do exterior para realizar atividades políticas".

O advogado disse que 30 dos réus, que enfrentam penas de até cinco anos de prisão, se encontram no Egito, enquanto os outros 13 abandonaram o país e serão julgados à revelia. Entre os 30 que permanecem no Egito está Sam Lahood, filho do secretário de Transportes dos Estados Unidos, Ray LaHood, responsável pelo Instituto Internacional Republicano no Cairo. Ele foi proibido de sair do Egito em janeiro.

"A alegação da promotoria é que alguns escaparam, mas a realidade é que nunca foram denunciados. Alguns estiveram aqui pelas eleições parlamentares e depois foram embora normalmente", alegou o advogado.

A televisão egípcia divulgou imagens de alguns réus na audiência deste domingo sentados no interior do cárcere onde costumam ficar nos julgamentos no país, mas não informou sobre suas nacionalidades. Abd El-Shahid, que representa a Freedom House e o Centro Internacional para Jornalistas, ressaltou que seus clientes trabalham no Egito desde 2004 e nunca houve objeções ao trabalho deles.

"As autoridades sabiam que eles estavam aqui, ninguém estava se escondendo". Quanto à acusação de captar verbas do exterior, o advogado argumentou que os recursos não foram enviados por Estados, mas pelas sedes das ONGs no exterior. Abd El-Shahid disse que as entidades nunca realizaram atividades políticas, como define a lei egípcia. 

    Leia tudo sobre: EGITOJUSTIÇAongs

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG