Junta militar do Egito promete acelerar transição para governo civil

Manifestantes no Cairo rejeitam concessões anunciadas com objetivo de pôr fim a quatro dias de choques que deixaram 28 mortos

iG São Paulo |

AP
Reprodução de TV mostra chefe da junta militar do Egito, Hussein Tantawi, durante discurso à nação
A junta militar que governa o Egito há nove meses anunciou nesta terça-feira que acelerará o processo de transição para um governo civil por meio da antecipação das eleições presidenciais e formará um "governo nacional de salvação" em substituição ao gabinete que pediu sua renúncia na segunda-feira.

Leia também: Gabinete do Egito entrega pedido de renúncia

Em um discurso na TV, o chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas, Field Marshal Hussein Tantawi, disse que as Forças Armadas estão preparadas para realizar um referendo sobre a transferência imediata de poder se a população fizer essa reivindicação.

"O Exército não quer o poder e coloca os interesses do povo acima de qualquer consideração. Ele está preparado para transmitir as responsabilidades imediatamente, se o povo assim desejar, por meio de um referendo popular", anunciou. "Nossa única lealdade é com a população e a terra do Egito", disse.

Ele também afirmou que as eleições presidenciais serão realizadas antes do fim de junho para transferir o poder totalmente para autoridades civis, mas não mencionou especificamente uma data para a transição. Antes, a junta militar havia marcado as eleições presidenciais para o fim de 2012 ou o início de 2013.

As medidas foram anunciadas após uma reunião de cinco horas entre os militares, candidatos e líderes de partidos em meio a protestos violentos na praça Tahrir , no Cairo, que deixaram 28 mortos e milhares de feridos desde sábado.

Tantawi disse que o conselho militar lamenta pelas "vítimas que foram mortas", afirmando que o único objetivo desse período de transição era restaurar a segurança no país.

Os anúncios, entretanto, foram imediatamente rejeitados pelas centenas de manifestantes que continuam ocupando a praça Tahrir. "Não vamos embora. Ele tem de ir embora", gritavam em referência a Tantawi.

Na segunda-feira, o gabinete liderado pelo premiê Essam Sharaf entregou seu pedido de renúncia após três dias de turbulentas manifestações. As eleições da semana que vem estão inseridas no processo de transição democrática após a derrubada do presidente Hosni Mubarak em fevereiro por meio de revoltas populares.

Durante a reunião, foi decidido que as eleições parlamentares ainda começarão na semana que vem, conforme programado. Selim al-Awwa, um membro que participou das conversas com os militares, afirmou à agência de notícias estatal Mena que o novo governo formado "implantaria os objetivos da revolução".

Além das manifestações no Cairo, há protestos na cidade portuária egípcia de Alexandria, onde a polícia antidistúrbio lançou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, e na cidade de Suez, onde os participantes marcharam para a praça al-Arab'in.

Com AP, EFE, Reuters e BBC

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