Julgamento de Mubarak é retomado no Egito

Ex-presidente é acusado de ser cúmplice na morte de 800 manifestantes durante a revolta que provocou a derrocada de seu regime

iG São Paulo |

O julgamento de Hosni Mubarak foi retomado nesta segunda-feira em meio à recente absolvição de policiais acusados de matar manifestantes egípcios e ao crescente temor que esse caso represente um prelúdio para a destituição das acusações contra o líder deposto.

Leia também:
- Recomeça no Egito julgamento de Mubarak após 2 meses de suspensão

- Indecisão sobre juiz atrasa julgamento de Mubarak no Egito

AP
Ex-presidente egípcio Hosni Mubarak chega ao Tribunal do Cairo em maca hospitalar

Mubarak é acusado por cumplicidade na morte de mais de 800 manifestantes durante a revolta no ano passado que culminou na derrocada de seu regime de 29 anos. O ex-presidente de 83 anos foi levado de helicóptero do hospital onde cumpre custódia até o Tribunal do Cairo. Ele, então, foi levado até à jaula dos réus sobre uma maca, vestindo óculos escuros e coberto por uma manta verde.

A audiência foi descrita como "processual" e serve para permitir que o juiz decida sobre pedidos especifícos apresentados pelos advogados durante a sessão da semana passada, segundo Khaled Abu Bakr, um advogado que representa as famílias das vítimas, ouvido pela rede CNN.

"O juiz vai decidir (...) o número das testemunhas que estarão presentes na próxima audiência, e também vai anunciar sua decisão nos pedidos da defesa para incluir os últimos confrontos da praça Tahrir nos arquivos", disse Abu Bakr.

Outro tribunal de Cairo na quinta-feira absolveu cinco policiais das acusações de terem matado cinco manifestantes durante a revolta no início de 2011. O tribunal decidiu que os três dos réus não estavam no local dos assassinatos, enquanto os outros dois teriam atirado contra civis em autodefesa.

A sentença deixou as famílias das vítimas furiosas. Ativistas exigiram que os policiais fossem levados à justiça e reclamaram que casos semelhantes estão acontecendo em tribunais de várias cidades do Egito.

Também acusados pelo tribunal estão os dois filhos de Muabarak, Gamal, seu então herdeiro, e Alaa, além de ex-líderes da chefia de segurança e seis ex-comandantes da polícia. Membros da família Mubarak enfrentam acusações adicionais de corrupção.

O julgamento contra o ex-presidente, seus dois filhos, o ex-ministro do Interior Habib al Adly e seis de seus assessores, que teve início no dia 3 de agosto, estava suspenso desde 30 de outubro por uma demanda dos advogados da acusação, que pretendiam recusar os juízes encarregados do caso.

No entanto, o pedido da acusação foi rejeitado em dezembro, e as audiências do processo contra Mubarak foram retomadas em 28 de dezembro . O julgamento, segundo a CNN, deve ser retomado "quase que diariamente", começando por essa semana.

A saúde de Mubarak tem sido colocada em questão desde que foi preso em abril de 2011 após reportagens terem afirmado que o então líder sofreu com problemas de coração e câncer.

A absolvição dos policiais e a relativa demora que o julgamento de Mubarak está levando antes mesmo de começar a lidar com o centro das acusações contra o ex-presidente têm levado muitos ativistas a acreditar que o processo é uma farsa organizada pelos generais que estão no poder desde sua deposição.

AP
Mulher anti-Mubarak grita sentada em frente à tropa de choque em frente ao local da antiga academia de polícia onde Mubarak é julgado

Os generais são liderados por Hussein Tantawi, ministro da Defesa da era Mubarak durante os últimos 20 anos que ele passou no poder. Os ativistas acreditam que os generais permanecem ligados ao antigo regime, e detiveram o ex-presidente e seus dois filhos somente por conta da pressão e dos protestos. Os Mubarak foram presos em abril, dois meses depois da queda do governo.

Com AP e EFE

    Leia tudo sobre: egitomubarakmundo árabecairojulgamento

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG