Juiz egípcio suspende cobertura ao vivo do julgamento de Mubarak

Magistrado também decide fundir julgamento de ex-líder do Egito, deposto em levante popular, com de ex-ministro do Interior

iG São Paulo |

O julgamento do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak será fundido ao do ex-ministro do Interior Habib al-Adly, e a cobertura ao vivo será suspensa para "proteger o interesse público", decidiu nesta segunda-feira o juiz Ahmed Refaat. Adly já foi condenado por lavagem de dinheiro e agora enfrenta acusações de ter ordenado a morte de 850 manifestantes.

AP
Imagem da TV estatal egípcia mostra Mubarak deitado na maca enquanto acompanha seu julgamento

A decisão de fundir os julgamentos foi aplaudida pelas famílias dos manifestantes mortos durante o levante de 18 dias iniciado em 25 de janeiro, que forçou a renúncia de Mubarak, de 83 anos, em 11 de fevereiro. O julgamento será retomado em 5 de setembro.

Se considerado culpado de ordenar a morte dos manifestantes durante os protestos, Mubarak pode ser condenado à pena de morte. O ex-presidente egípcio é o primeiro líder árabe a ser julgado desde que as insurgências populares começaram a se espalhar pelo Oriente Médio e norte da África . Seus filhos Alaa e Gamal também estão sob julgamento e rejeitam as acusações de corrupção.

No momento em que Mubarak, que está doente, retornou ao tribunal para a retomada do julgamento, iniciado em 3 de agosto, houve registro de confrontos nas ruas. O helicóptero pousou perto do tribunal e, em seguida, o ex-presidente, vestido com um casaco esportivo, foi levado em uma maca para sua jaula dentro do tribunal.

Centenas de policiais mantiveram guarda, mas os confrontos irromperam em frente ao prédio entre uma multidão de simpatizantes de Mubarak e um grupo pedindo justiça pelos mortos na insurgência que derrubou o ex-líder há seis meses. 

"O ladrão chegou!", gritaram os manifestantes anti-Mubarak, enquanto seus simpatizantes respondiam com mais barulho. "Juiz acorde! Mubarak matou meus irmãos! Execute o assassino!", gritavam outros.

A multidão pró-Mubarak atirava pedras, e o cordão de isolamento que separava os dois lados se rompeu, e simpatizantes de Mubarak expulsaram seus opositores para longe do prédio.

Em um tribunal lotado com advogados ansiosos, Mubarak parecia estar contido e austero, as mãos unidas sobre o peito. Uma agulha intravenosa estava implantada em sua mão esquerda. Ele não estava usando as roupas brancas exigidas normalmente para os presos. Ele trocou algumas palavras com seus filhos Alaa e Gamal, que estavam dentro da mesma jaula do pai.

O juiz Refaat chamou o nome de Mubarak e ele respondeu "presente". A audiência pode decidir se o chefe do conselho militar que atualmente governa o país prestará depoimento.

Advogados da defesa dizem que qualquer testemunho do marechal Mohamed Hussein Tantawi sobre o papel de Mubarak em tentar reprimir o protesto de 18 dias, em que 850 pessoas morreram, poderia definir o destino do ex-presidente.

Tantawi, que foi ministro da Defesa durante duas décadas sob Mubarak, lidera o conselho militar que assumiu o poder no país quando Mubarak foi deposto em 11 de fevereiro por protestos massivos.

*Com Reuters

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