Jornalistas retidos em hotel de Trípoli são liberados

Dezenas de profissionais estrangeiros passaram cinco dias impedidos de sair do local por forças leais a Kadafi

iG São Paulo |

AP
Imagem de TV mostra jornalista chegando no hotel Corinthia, após deixar o Rixos em Trípoli
Jornalistas estrangeiros conseguiram deixar nesta quarta-feira o hotel Rixos, no centro de Trípoli, onde passaram cinco dias retidos por forças leias ao líder líbio Muamar Kadafi .

Dezenas de profissionais foram levados em carros da Cruz Vermelha para outro hotel, o Corinthia, onde muitos se abraçaram e choraram ao chegar.

"Levamos todos em quatro carros, sem problemas", afirmou o chefe da delegação da Cruz Vermelha em Trípoli, George Comninos. "É claro que, ainda assim, a situação era tensa."

Os jornalistas foram impedidos de deixar o hotel por dois homens armados. O local ainda é controlado pelo regime de Kadafi, apesar do avanço rebelde pela capital, Trípoli, iniciado no sábado. Quando a crise começou, todos os funcionários deixaram o Rixos.

Na manhã desta quarta-feira, o repórter da BBC Matthew Price, que estava dentro do hotel, descreveu momentos de "desespero". Segundo ele, a situação tinha piorado muito durante a noite e atiradores estavam nos corredores.

"Um cinegrafista da (rede britânica) ITN teve um rifle AK-47 apontado contra ele, um guarda se aproximou e o empurrou, apontando a arma na direção dele. Ele está bem", afirmou o jornalista. O cinegrafista tentava sair do hotel no momento em que teve a arma apontada contra ele. Ainda segundo Price, a água potável e a comida dentro do Rixos estavam acabando e a eletricidade funcionava apenas em partes do prédio.

Também nesta quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Itália anuncou que quatro jornalistas italianos foram sequestrados na Líbia. A ação, aparentemente feita por forças leais a Kadafi, teria ocorrido nesta quarta-feira em uma estrada entre Zawiah, 50 km a oeste da capital Trípoli.

De acordo com Bruno Tucci, presidente da Ordem dos Jornalistas da região do Lazio, os jornalistas são Elisabetta Rosapina e Giuseppe Sarcina, do Corriere della Sera, Domenico Quirico, do La Stampa, e um outro enviado pelo diário católico Avvenire.

Anistia e recompensa

O Conselho Nacional de Transição (CNT, que reúne a oposição líbia) ofereceu nesta quarta-feira anistia e uma recompensa milionária a quem matar ou capturar o líder líbio Muamar Kadafi. O anúncio é feito um dia após os rebeldes terem tomado o quartel-general de Kadafi, cujo paradeiro é desconhecido.

"O Conselho Nacional de Transição anuncia que qualquer um que capturar ou matar Kadafi receberá anistia ou perdão por qualquer crime que tenha cometido", declarou o líder do CNT, Mustafa Abdul Khalil. "O regime de Kadafi não estará acabado enquanto ele não for capturado vivo ou morto."

Segundo Khalil, um empresário de Benghazi, que ele não quis identificar, se dispôs a pagar uma recompensa de 2 milhões de dinares líbios a quem capturar ou matar Kadafi. O valor equivale a entre US$ 1,3 milhão e US$ 1,7 milhão (entre R$ 2 milhões e R$ 2,7 milhões).

Em mensagem de áudio divulgada por uma rádio local, Kadafi conclamou a população a lutar "até a vitória ou a morte". "Convoco os moradores de Trípoli - jovens, velhos e brigadas armadas - a defender a cidade, limpá-la e pôr um fim aos traidores, expulsá-los", disse Kadafi. "Essas gangues querem destruir Trípoli. Eles são a maldade. Temos de lutar contra eles."

Em uma entrevista reproduzida pela TV Al-Urubah (favorável ao regime), Kadafi pediu que tribos e habitantes de outras cidades socorram a população da capital.

"Convoco às tribos de Sebha, Beni Oualid, Feran, Yufra e Anwaset para que ajudem a limpar a capital. Vocês devem tomar Trípoli e varrê-la para eliminar os ratos", afirmou.

Kadafi disse também que o seu quartel-general foi arrasado não pelos rebeldes, mas por 64 ataques aéreos conduzidos pela Otan, que realiza bombardeios em território líbio em cumprimento de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. Kadafi também disse que as forças leais a ele deixaram o complexo de Bab al-Aziziya porque ele não serve mais a propósitos militares ou estratégicos.

À noite, centenas de pessoas foram à Praça Verde, no centro da capital, para comemorar a tomada do complexo de Kadafi. Rebeldes atiram para o alto e balançaram bandeiras.

Com BBC, AP, AFP e EFE

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