Jornalistas italianos sequestrados na Líbia são libertados

Repórteres temeram ser mortos por seus captores; grupos de partidários de Kadafi abrem fogo contra hotel onde estão jornalistas

iG São Paulo |

Quatro jornalistas italianos que foram sequestrados na quarta-feira perto da Praça Verde, em Trípoli,  foram libertados nesta quinta-feira, informaram fontes do Ministério de Relações Exteriores da Itália. "Os jornalistas foram libertados e estão no hotel de Trípoli onde estão vários repórteres estrangeiros. Estão bem", afirma a nota do ministério.

AP
Rebelde líbio posa para fotografia sentado em sofá em formato de sereia, cujo rosto retrata Aisha, filha de Muamar Kadafi, no complexod e Bab al-Aziziya (24/08)
Os jornalistas são Claudio Monici, enviado do jornal Avvenire - da Conferência Episcopal Italiana (CEI) -, Domenico Quirico, do La Stampa, e Elisabetta Rosaspina e Giuseppe Sarcina, ambos do Corriere della Sera. O cônsul italiano em Benghazi, Guido de Sanctis, disse que o motorista do carro onde os quatro estavam foi morto durante o sequestro por homens armados leais ao líder Muamar Kadafi.

Segundo a Associated Press, os quatro acreditaram que seriam mortos pelos seus captores antes de serem soltos por um grupo rival na casa onde eram mantidos em cativeiro. À Sky News, Sarcina disse acreditar que seus libertadores faziam parte de uma milícia, não sendo civis ou tropas regulares de soldados.

Antes da libertação, Monici e Quirico tiveram permissão dos sequestradores para contatar suas famílias pelo telefone para lhes dizer que estavam bem.

Tiroteio no hotel

Nesta quinta-feira, um grupo de homens armados, aparentemente membros da tropas leais a Kadafi, abriram fogo contra o Corinthia Hotel de Trípoli, situado no centro da cidade e onde estão hospedados muitos jornalistas estrangeiros que fazem a cobertura da guerra civil líbia. Muitos dos jornalistas foram transferidos ao local na quarta-feira, após conseguirem sair do Hotel Rixos , onde haviam passado cinco dias retidos por forças leias a Kadafi.

O tiroteio causou momentos de confusão e nervosismo entre os hóspedes do hotel e obrigou os repórteres a buscar um refúgio e fugir dos quartos e do próprio recinto, embora aparentemente sem que se registrassem vítimas.


Por causa da escalada do conflito na capital líbia, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) expressou nesta quinta-feira sua preocupação com a situação dos jornalistas em atuação em Trípoli, onde os confrontos entre tropas leais ao Kadafi e rebeldes continuam desde a entrada da oposição na cidade, no fim de semana.

O chefe da delegação do CICV na Líbia, George Comninos, lembrou em comunicado que os jornalistas estão protegidos pelas leis humanitárias internacionais, da mesma foram que os civis, por isso "devem ser protegidos e respeitados pelas partes envolvidas no conflito".

Comninos ressaltou a vontade da organização de prestar ajuda aos jornalistas que estejam em situação de risco, como fez na quarta-feira ao libertar os 33 profissionais e dois civis que estavam retidos no Rixos.

Seis membros das equipes do CICV na Líbia chegaram ao em quatro veículos para libertar os jornalistas e civis e levá-los para locais seguros em Trípoli. Comninos ressaltou que o reconhecido papel dessa organização como "intermediário neutro" permitiu realizar com sucesso a operação. "Estamos muito contentes que tudo tenha ocorrido sem problemas, mas seguimos preocupados com outros civis e jornalistas que possam estar em risco", disse. 

Muitos meios de comunicação entraram em contato com o CICV nos últimos dias preocupados pela situação de segurança e bem-estar de seus trabalhadores. Desde o início do conflito. no início do ano, a organização recebeu 50 pedidos da imprensa e de familiares de jornalistas pedindo para protegê-los.

*Com EFE, AFP e EFE

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