Jornalistas detidos no Egito desembarcam em Brasília

Ao serem identificados, repórter e cinegrafista foram vendados e tiveram passaporte e equipamentos confiscados

AE |

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Aliviados por chegarem em casa sem ter sofrido nenhuma violência física, os jornalistas brasileiros presos e expulsos do Egito, Corban Costa e Gilvan Rocha, desembarcaram hoje à tarde no Aeroporto Internacional de Brasília, onde foram recebidos por familiares emocionados.

Repórter da Rádio Nacional, Costa era esperado pelas irmãs e pelas duas filhas, que não contiveram as lágrimas ao encontrar o parente, depois de dias sem informações mais precisas sobre seu estado de saúde. "Agora elas sabem o quanto eu trabalho", brincou o jornalista. "Foi uma semana longa e cansativa, que começou na terça-feira e só acabou agora".

 Os profissionais brasileiros foram detidos pela polícia egípcia no caminho entre o aeroporto do Cairo e o hotel onde iriam ficar hospedados. Segundo Rocha, que é cinegrafista da TV Brasil, eles conseguiram passar por cinco barreiras policiais antes de serem identificados. "Falávamos que éramos turistas brasileiros e os policiais diziam que estava tudo bem, lembravam do Pelé e do Ronaldinho. Mas na sexta barreira havia pessoas estranhas, com pedaços de pau e ferro, e quando viram que o meu passaporte tinha muitos carimbos de diversos países nos fizeram sair do taxi", contou.

Identificados como jornalistas, os dois tiveram os equipamentos e os passaportes confiscados e precisaram caminhar com os olhos vendados até a delegacia, onde ficaram detidos por 18 horas, em uma sala sem lugar para dormir, com apenas cadeiras e uma mesa. "Não chegamos a gravar uma imagem sequer nem escrevemos uma só linha", afirmou Rocha. "Já cobri terremotos e golpes de Estado, mas nunca passei por nada parecido", completou.

Os jornalistas, que pensaram por diversas vezes que seriam mortos pelos policiais egípcios, só foram liberados após assinarem uma confissão em árabe, cujo conteúdo até agora não sabem ao certo. Segundo eles, outros profissionais de imprensa de outros países também estiveram detidos no mesmo local e passaram por situações semelhantes de terror psicológico. "Parecia cena de filme, todos andando de olhos vendados na areia, segurando no ombro de quem estava na frente, sem poder conversar", acrescentou o cinegrafista.

 Se dupla retornou sã e salva a Brasília, o mesmo não se pode dizer dos equipamentos das emissoras, que ficaram retidos na alfândega do Cairo. Segundo os jornalistas, que já pensam em escrever um livro para detalhar a experiência no país árabe, as autoridades brasileiras prometeram tentar recuperar o material que ficou no Egito.

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