Jornalista ferido durante ataque em Homs deixa a Síria

Britânico Paul Conroy vai para o Líbano enquanto chefe do Conselho de Direitos Humanos da ONU pede cessar-fogo imediato

iG São Paulo |

O jornalista britânico Paul Conroy, ferido durante um ataque na cidade síria de Homs na semana passada, conseguiu deixar o país e está no Líbano, informaram ativistas nesta terça-feira, mesmo dia em que a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu um cessar-fogo humanitário imediato.

De acordo com os Comitês Locais de Coordenação, grupo que reúne ativistas da Síria, desertores do Exército ajudaram Conroy a deixar Homs. O jornalista de 47 anos, que trabalha para o jornal britânico Sunday Times, disse em um vídeo que tinha três ferimentos grandes em uma das pernas.

Leia também: Mortes de jornalistas revelam dificuldade de cobertura na Síria

AP
Mulher segura sua filha em sacada de prédio danificado por bombardeio em Idlib, na Síria (27/02)

Não está claro se a jornalista francesa Edith Bouvier , também ferida em Homs, conseguiu deixar a Síria. Há relatos de que ela está no Líbano, mas os Comitês disseram que Edith, repórter do jornal Le Figaro que quebrou o fêmur, ainda negocia sua saída com o Crescente Vermelho. Assim como outros jornalistas, ela quer deixar a Síria sem que seu material de trabalho seja confiscado por autoridades.

Os dois jornalistas ficaram feridos no mesmo ataque que matou a repórter americana Marie Colvin e o fotógrafo francês, Rèmi Ochlik, cujos corpos ainda estão na Síria. Eles estavam em uma casa usada como sala de imprensa e atacada durante a ofensiva militar em Homs , que começou há cerca de três semanas e deixou centenas de mortos.

Ativistas disseram que a violência continua em várias partes da Síria nesta terça-feira. Forças de segurança bombardearam áreas controladas pela oposição em Hama e Homs, deixando dezenas de vítimas.

Uma divisão blindada de elite, comandada por Maher al-Assad, irmão do presidente Bashar al-Assad, teria chegado a Homs durante a noite. Tanques com as palavras "Quarta Divisão Monstros" se aproximaram de Baba Amro e fizeram a ação mais violenta desde que a operação começou.

Cessar-fogo humanitário

Diante da continuidade da violência, a alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu um cessar-fogo humanitário imediato. Ela disse ter recebido relatos de as forças de segurança estão fazendo detenções arbitrárias e deixando civis sem comida, água e remédios.

De acordo com a alta comissária, a situação se deteriora rapidamente no país e a comunidade internacional para impedir as “incontáveis atrocidades” das forças de segurança sírias. “Precisamos de um cessar-fogo humanitário imediato que acabe com todos os confrontos e bombardeios”, afirmou, durante a reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.

O representante sírio no Conselho, Faysal Khabbaz Hamoui, deixou a sessão após acusar os países-membros de “incitar o sectarismo e oferecer armas à oposição”.

Os membros do Conselho devem aprovar nesta terça-feira uma resolução condenando a “ampla e sistemática violação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais pelas autoridades sírias”.

AP
O jornalista britânico Paul Conroy, em imagem de vídeo, é tratado em clínica improvisada em Homs, na Síria (22/02)

Com AP, Reuters e BBC

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