Jornal 'Estado' perde contato com repórter na Líbia

Correspondente em Paris estava no oeste do país e, segundo informações não confirmadas, foi preso; equipe da BBC sofre agressão

iG São Paulo |

O jornal O Estado de S. Paulo perdeu há uma semana todo contato direto com seu repórter Andrei Netto, correspondente em Paris que estava no oeste da Líbia cobrindo os confrontos entre rebeldes e forças do regime de Muamar Kadafi.

Segundo informações não confirmadas obtidas nesta quarta-feira pelo jornal, Netto teria sido preso pelo governo, juntamente com um outro jornalista e um guia líbio que os auxiliava. A informação foi divulgada no dia em que a BBC revelou que uma de suas equipes foi agredida na Líbia .

Até domingo, o jornal brasileiro recebia informações indiretas de que seu repórter estava bem e se encontrava na região de Zawiya – cenário de violentos confrontos entre Kadafi e os insurgentes, a 50 quilômetros de Trípoli. A comunicação – por meio de telefonemas e e-mails – havia sido propositadamente cortada por segurança, afirmavam fontes líbias.

Nesta quarta-feira, porém, novas informações indicavam que Netto tinha sido preso na região de Zawiya. O vice-chanceler da Líbia, Khaled Qaim, disse que a notícia da prisão era “provavelmente correta”. Ele já estava informado sobre o assunto antes de ser contatado pelo jornal e se comprometeu a ajudar a localizar o brasileiro.

O governo brasileiro, a Embaixada da Líbia no Brasil, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a ONU e vários veículos de comunicação do Brasil e do mundo estão colaborando com o jornal para garantir a integridade física e a segurança do repórter, bem como sua saída imediata e em segurança da Líbia. A família do repórter está em contato com o jornal.

Netto entrou em território líbio pela fronteira da Tunísia em 19 de fevereiro, quatro dias após o início dos confrontos entre Kadafi e opositores. Pouco a pouco, ele foi avançando na direção de Trípoli, mas parou em Zawiya, onde se intensificaram os confrontos.

A cidade, que havia sido tomada pelos rebeldes, foi sitiada por soldados leais ao governo há uma semana. Em seguida, forças da brigada Khamis – tropa de elite comandada por um dos filhos de Kadafi – realizaram várias investidas contra Zawiya.

Correspondente do Estado em Paris desde 2006, Netto participou de importantes coberturas, como o terremoto de L’Áquila, na Itália, o acidente do voo 447 Rio-Paris da Air France e cúpulas do G-20. Gaúcho de Porto Alegre, tem 34 anos e é casado.

Equipe da BBC

As forças de segurança de Kadafi detiveram e espancaram uma equipe da rede britânica BBC que tentava chegar à cidade de Zawiya, no oeste do país. Localizada a 50 quilômetros de Trípoli, a cidade está há dias sob cerco das forças leais a Kadafi que tentam tomar seu controle.

O trio apanhou com socos, joelhadas e coronhadas, foi vendado e submetido a simulações de execução pelo Exército e a polícia secreta líbia. Os três homens foram detidos por 21 horas, mas agora saíram do país depois de sua detenção na segunda-feira.

Confrontos internos

As Forças de Kadafi intensificaram nesta quarta-feira uma ofensiva com uso de tropas, apoio aéreo e artilharia para reconquistar o enclave petroleiro de Ras Lanuf , a 350 quilômetros a oeste de Benghazi, epicentro dos protestos antigoverno e reduto da oposição no leste do país.

O governo da Líbia também ofereceu uma recompensa de 500 mil dinares líbios (cerca de US$ 400 mil e R$ 663 mil) pela captura de Mustafá Abdel Jalil, ex-ministro da Justiça que renunciou ao cargo para apoiar os protestos contra o regime, tornando-se presidente do Conselho Nacional de Transição Interino (CNTR).

No 23º dia de confrontos violentos no país, o líder líbio, Muamar Kadafi, disse em entrevista à TV turca TRT que a população pegará em armas se uma zona de exclusão aérea for imposta à Líbia por países ocidentais ou pela ONU, como vários líderes rebeldes vêm pedindo .

Países ocidentais vêm discutindo a possibilidade de impor uma zona de restrição a voos sobre a Líbia para impedir ataques aéreos de forças leais ao governo contra rebeldes. Os EUA afirmam que qualquer decisão a respeito deve ser tomada pela ONU .

*Com Agência Estado, BBC, AP, EFE e Reuters

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