Jatos britânicos bombardeiam bunker na cidade natal de Kadafi

Segundo Reino Unido, não havia indicações de que o líder foragido da Líbia estivesse em centro de controle alvo de ataque em Sirte

iG São Paulo |

Jatos britânicos bombardearam nesta sexta-feira um grande bunker em Sirte, cidade natal do líder líbio Muamar Kadafi , cujo paradeiro é desconhecido.

O Ministério da Defesa britânico afirmou que jatos Tornado GR4 decolaram da base aérea de Marham, em Norfolk, Inglaterra, na quinta-feira à noite. Eles dispararam mísseis de precisão contra o bunker, que abrigava um centro de controle.

Não havia qualquer indicação de que o líder líbio estivesse em Sirte ou no bunker no momento do ataque. "Não se trata de encontrar Kadafi, mas, sim, de garantir que o regime não tenha a capacidade de continuar combatendo seu próprio povo", disse o ministro da Defesa, Liam Fox, à BBC.

Reuters
Rebelde caminha por quartel-general de Kadafi em Trípoli, tomado pela oposição na terça-feira (26/08)

Desde quinta-feira , rebeldes líbios enviam combatentes, tanques e lançadores de foguete para Sirte, a 400 km da capital, Trípoli.  A oposição disse não esperar uma batalha fácil, já que a cidade é um dos principais redutos de partidários de Kadafi em todo o país.

Na quinta-feira, as forças pró-regime resistiam à ofensiva e bloqueavam o avanço rebelde para a cidade de Bin Jawad, a 560 km de Trípoli. Os partidários de Kadafi também controlam Sabha, a 650 km da capital.

Em Trípoli, onde intensos combates acontecem há quase uma semana, falta eletricidade, fornecimento de água e coleta de lixo. Os destroços das bombas e artilharia usadas nos combates ao longo da semana se espalham pelas ruas.

Atos de violência

A ONU exortou os dois lados do conflito na Líbia a adotar medidas para evitar atos de violência ou vingança. O chamado foi feito à medida que surgem relatos de abusos e execuções sumárias, tanto do lado rebelde quanto de forças leais a Muamar Kadafi.

Em um hospital no distrito de Mitiga, o repórter Rupert Wingfield-Hayes contou 17 corpos, todos de militantes rebeldes. Segundo médicos, os rebeldes tinham sido presos pelas forças de Kadafi em uma escola. Os corpos apresentam marcas de tortura e de muitos disparos. Há relatos de pelo menos uma execução sumária.

"Metade dos 17 corpos tinha marcas de tiro na nuca. Muitos estão desfigurados, com ferimentos nas pernas e nos braços que não têm explicação", disse um médico, que não se identificou.

O chefe do escritório da BBC no Oriente Médio, Paul Danahar, viu corpos de dois soldados leais a Kadafi também com sinais de execução. Os dois militares foram mortos com as mãos amarradas junto às costas.

Um porta-voz da Cruz Vermelha disse à BBC que os dois lados mantêm centenas de prisioneiros. Robin Waudo pediu às partes envolvidas que respeitem os direitos de prisioneiros de guerra, dispostos em convenções internacionais.

A Anistia Internacional também denunciou execuções sumárias de prisioneiros nos dois lados do conflito. O porta-voz de direitos humanos da ONU, Rupert Colville, disse que é difícil confirmar relatos de execuções sumárias e tortura, mas afirmou que denúncias do gênero serão investigadas pela Comissão de Inquérito da Líbia - órgão já existente.

"Exortamos todos em posições de autoridade na Líbia, incluindo comandantes militares, a tomar medidas para evitar que nenhum crime, ou ato de vingança, seja cometido", disse ele.

A ONU já havia afirmado que algumas ações militares poderiam ser classificadas como crimes de guerra e contra a humanidade.No começo da semana, o presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafa Abdul Jalil, exortou rebeldes a não se envolver em atos de vingança contra combatentes pró-Khadafi, ameaçando renunciar se seu chamado não surtisse efeito.

Com BBC


    Leia tudo sobre: kadafilíbiamundo árabeotanrebeldes

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG