Itália reconhece legitimidade política de rebeldes líbios

Após confrontos com forças pró-Kadafi, rebeldes dizem ter recuperado parte da cidade petrolífera de Brega, no leste do país

iG São Paulo |

A Itália reconheceu nesta segunda-feira a liderança rebelde da Líbia - reunida no Conselho Nacional de Transição Interino (CNTR) - como "única voz legítima" do país. França e Catar já haviam reconhecido a legitimidade política dos rebeldes, que continuam enfrentando as forças pró-regime na cidade de Brega.

A decisão foi anunciada pelo ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, que considerou a renúncia do líder líbio, Muamar Kadafi, como a única forma de resolver a crise do país, que já dura mais de um mês. "Qualquer solução para o futuro da Líbia tem uma pré-condição: que o regime Kadafi vá embora, que ele e sua família deixem o país", afirmou.

Frattini também chamou de "não confiáveis" as propostas de diálogo do vice-chanceler da Líbia, Abdul-Ati al-Obeidi, que se encontrou com autoridades gregas no domingo. "Nada foi dito sobre a saída de Kadafi", explicou o ministro.

Durante encontro com o primeiro-ministro grego em Atenas, Abdul Ati al-Obeidi afirmou que o líder líbio, deseja negociar um fim aos confrontos armados no país. O enviado, que nesta segunda-feira vai também a Turquia e Malta, havia afirmado na sexta-feira que o governo de Kadafi estaria tentando contatos com autoridades de Estados Unidos, Grã-Bretanha e França para negociar um fim aos ataques aéreos internacionais.

As ações da coalizão internacional, iniciadas no dia 19 de março, têm como objetivo impor a resolução do Conselho de Segurança da ONU que estabeleceu uma zona de exclusão aérea no país para proteger os civis de ataques das forças pró-Kadafi.

Segundo o ministro grego das Relações Exteriores, Dimitris Droutsas, o enviado de Kadafi teria indicado o desejo de negociar o fim dos ataques. "Pelos comentários do enviado líbio, parece que o regime está buscando uma solução”, afirmou Droutsas.

Segundo ele, autoridades gregas reafirmaram a exigência da comunidade internacional de que a Líbia cumpra a resolução 1973 da ONU, aprovada após forças pró-Kadafi terem atacado opositores que vinham protestando contra o governo em várias cidades do país.

Novos confrontos

Nesta segunda-feira, os rebeldes aumentaram os ataques na cidade petrolífera de Brega e, segundo a agência Associated Press, recuperaram o controle de várias áreas.

"Estamos avançando. Até o fim do dia teremos o controle total de Brega", disse o opositor Salam Idrisi, 42 anos. "Estamos mais organizados."

Os rebeldes líbios controlam grande parte da região leste, mas mesmo com a ajuda dos ataques aéreos internacionais não conseguem tomar a parte oeste, em particular a capital, Trípoli. Misrata, a única cidade do oeste da Líbia ainda controlada pelos rebeldes, vem sofrendo há semanas com um cerco das forças leais ao coronel Kadafi. No domingo, um navio turco em missão humanitária chegou a Benghazi, segunda maior cidade da Líbia e principal base da oposição, levando 250 pessoas feridas retiradas de Misrata. Médicos a bordo do navio turco disseram que muitas das pessoas tinham ferimentos graves.

O navio Ankara deve recolher mais uma centena de rebeldes feridos em Benghazi antes de se dirigir ao porto turco de Cesme, onde os feridos deverão receber tratamento em um hospital mais bem equipado e com suprimentos, segundo as autoridades turcas.

O navio chegou a Misrata sob a proteção de dez caças turcos F-16 e duas fragatas da Marinha, segundo afirmou um diplomata do país. Após a entrada dos 250 feridos, a embarcação foi obrigada a deixar Misrata antes do previsto após uma multidão, incluindo centenas de egípcios, ter se juntando na área do porto para tentar embarcar no navio para fugir do local.

Com AP e BBC

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