Itália participará de ofensiva contra forças de Kadafi na Líbia

Governo do premiê Silvio Berlusconi responde a chamado da Otan, que decidiu intensificar os ataques contra bases de líder líbio

iG São Paulo |

A Itália enviará forças para participar dos bombardeios na Líbia. Conforme anunciou nesta segunda-feira o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, o país está disposto a permitir que seus aviões realizem "ações seletivas" contra "objetivos militares específicos selecionados em território líbio".

Em um comunicado, Berlusconi afirmou ter conversado por telefone com o presidente americano, Barack Obama, e informou a ele "que a Itália decidiu responder positivamente" ao chamado feito pelo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por ocasião da reunião do Conselho Atlântico de 14 de abril.

"A Itália decidiu aumentar a flexibilidade operacional de seus próprios aviões mediante ações seletivas contra objetivos militares específicos em território líbio, com o objetivo de contribuir para proteger a população civil líbia", acrescentou Berlusconi.

AP
Guardas observam danos após ataque em complexo de Kadafi em Trípoli

Na quarta-feira passada, os governos da Itália e do Reino Unido já haviam acertado pôr à disposição do Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT) dez instrutores militares cada um.

Também nesta segunda-feira, um bombardeio aéreo da Otan em Trípoli, capital da Líbia, provocou grandes danos a edifícios do complexo onde vive Kadafi. Segundo relatos locais, ao menos dois poderosos mísseis atingiram a região de Bab al-Aziza, onde fica o complexo de Kadafi, na madrugada desta segunda-feira. De acordo com fontes do governo, ao menos três morreram e 45 ficaram feridos nas explosões, que levaram três estações de TV locais a sair do ar brevemente.

Os ataques foram um dos mais fortes a Trípoli desde o início das operações da coalizão internacional para proteger os civis do país de ataques das forças de Kadafi. A ação militar, iniciada no mês passado, foi autorizada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, após a forte repressão do governo líbio contra grupos de oposição que pediam a renúncia de Kadafi.

Os edifícios danificados pelo bombardeio desta segunda-feira parecem ser os mesmos que Kadafi havia usado recentemente para se reunir com uma missão de paz da União Africana.

Misrata

No domingo, forças leais a Kadafi bombardearam áreas da cidade de Misrata, no oeste do país, apesar de o governo afirmar ter interrompido os ataques para permitir que líderes tribais locais negociassem com os rebeldes.

Pelo menos seis pessoas teriam morrido nos ataques a Misrata, a terceira maior cidade do país. Segundo a agência de notícias AFP, um soldado pró-Kadafi capturado pelos rebeldes afirmou que as forças leais ao governo estão perdendo a batalha pelo controle de Misrata. "Muitos soldados querem se render, mas temem ser executados (pelos rebeldes)", disse Lili Mohammed, cidadão da Mauritânia contratado para combater os insurgentes.

O vice-ministro das Relações Exteriores, Kaled Kaim, havia dito que o Exército estava interrompendo suas ações para permitir uma solução aos conflitos "pacífica, e não militar".

Mas o coronel Omar Bani, porta-voz militar do Conselho Nacional de Transição (CNT), estabelecido pelos rebeldes, afirmou que Kadafi está "jogando um jogo sujo" em uma tentativa de dividir seus opositores e acusou o governo de tentar enganar os rebeldes com a promessa de diálogo.

Na segunda-feira, rebeldes disseram ter expulsado forças leais a Kadafi de Misrata.

Forças cercadas

O jornalista britânico James Hider, enviado a Misrata pelo jornal The Times, disse à rede britânica BBC que apesar de as forças pró-Kadafi terem cercado a cidade, na região central são as tropas do governo que estão cercadas pelos rebeldes.

Segundo ele, os bombardeios promovidos pela Otan estariam impedindo a chegada de suprimentos para as forças do governo.

Hider disse que os rebeldes esperavam conseguir retomar rapidamente o controle da área central da cidade, mas não se veem capazes de derrotar todas as forças do governo até que os ataques da Otan destruam seus armamentos pesados.

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que mais de mil pessoas foram mortas em Misrata e outras milhares foram feridas. Embarcações vêm transportando feridos na cidade a hospitais em Benghazi, segunda maior cidade do país.

A revolta popular contra Kadafi começou em fevereiro, inspirada pela onda de protestos pró-democracia em vários países árabes e que levaram à queda dos presidentes da Tunísia e do Egito.

*Com AFP, EFE e BBC

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