Itália e França pedem revisão de tratado de circulação na Europa

Berlusconi e Sarkozy querem estudar formas de combater onda migratória provocada por revoltas no mundo árabe

BBC Brasil |

selo

Os líderes da França e da Itália pediram, nesta terça-feira, uma reforma do Tratado de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre a maioria dos países da União Europeia (UE). O presidente Nicolas Sarkozy e o premiê Silvio Berlusconi se encontraram para discutir a recente onda migratória do norte da África rumo à Europa, em meio à onda de revoltas populares contra o governo nos países norte-africanos.

AP
Sarkozy e Berlusconi apertam as mãos durante coletiva de imprensa em Roma

A Itália desagradou os franceses ao dar vistos a milhares de imigrantes, permitindo que eles se dirijam a outros países europeus graças ao Tratado de Schengen. O destino final de muitos desses imigrantes - em especial dos tunisianos - é a França, onde têm parentes e conhecidos.

Só a Itália já recebeu 25 mil imigrantes até agora em 2011. Tanto Berlusconi quanto Sarkozy enfrentam pressão política interna para restringir a entrada de estrangeiros, principalmente por parte de partidos de extrema direita que se opõem à imigração.

Em coletiva em Roma nesta terça, os líderes disseram que nem a Itália nem a França pretendem pôr fim ao Tratado de Schengen. "Mas, em circunstâncias excepcionais, acreditamos que deveria haver variações ao tratado. E decidimos trabalhar juntos nisso", declarou Berlusconi.

O premiê italiano disse também que ele e Sarkozy escreveram uma carta conjunta ao Conselho Europeu pedindo uma revisão do tratado. Os dois países também pretendem pedir ao governo tunisiano que colabore tentando dissuadir imigrantes da viagem à Europa, disse Berlusconi.

Para Sarkozy, uma reforma no Tratado de Schengen é necessária para a sobrevivência do acordo. "Temos o euro, reformamos a economia europeia. Gostaria de ver a mesma coisa feita pelo Schengen."

O Tratado, criado em 1985 e colocado em prática uma década depois, permite que residentes legais da maioria dos países da União Europeia, além de Suíça, Noruega e Islândia, viajem pelo continente com mínimas checagens nas fronteiras.

Patrulhas

O correspondente da BBC em Roma Duncan Kennedy diz que iniciativa pela revisão do tratado partiu da tensão entre países europeus por conta da imigração.

Nem França nem Itália querem assumir responsabilidade pelos imigrantes, por isso pedem a intervenção das autoridades da UE em Bruxelas.

Os protestos nos países árabes deram início a uma grande onda migratória, e a Itália se queixa de ter ficado com o maior fardo. Muitos dos imigrantes norte-africanos chegam à Europa pela ilha italiana de Lampedusa, a cerca de 120 km da costa da Tunísia.

No início deste mês, Paris e Roma fizeram um acordo para promover patrulhas aéreas e marítimas em conjunto, de forma a evitar a chegada dos estrangeiros ao continente europeu, enquanto grupos de direitos humanos se queixam de atos de xenofobia e racismo contra os imigrantes.

A França prometeu honrar vistos temporários que a Itália concedeu a parte dos imigrantes, mas disse que pretende expulsar os que não puderem se sustentar financeiramente. Na semana passada, a polícia impediu temporariamente a entrada em solo francês de um trem italiano que levava imigrantes tunisianos.

    Leia tudo sobre: françaitáliamundo árabeimigraçãoeuropa

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG