Israel se prepara para refugiados após eventual queda de regime sírio

Para chefe do Estado-Maior do país, governo de Assad cairá porque ele 'não é como Kadafi, que luta até a última bala'

EFE |

AP
Imagem de TV mostra Assad discursando em Damasco, na Síria
O Exército israelense acredita que o presidente sírio, Bashar al-Assad, cairá em breve e prepara-se para uma possível chegada de sírios em busca de refúgio, declarou nesta terça-feira o chefe do Estado-Maior do país, Benny Gantz.

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Em discurso perante o Comitê de Defesa e Relações Exteriores no Knesset (Parlamento), o militar declarou que Assad "não é como ( ex-líder líbio Muamar) Kadafi , do tipo que luta até a última bala ", e previu que o autoritário regime sírio desaparecerá nos próximos meses, informou o jornal Haaretz em sua versão digital.

"Assad não pode continuar se agarrando ao poder, e sua queda provocará fendas no eixo radical", disse Gantz, em referência à aliança entre Irã, Síria e o grupo palestino islâmico Hamas. Ele, porém, também advertiu sobre o risco de que a tensão no país vizinho cause enfrentamentos nas Colinas do Golan, território sírio ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

"Assad e o regime sírio podem ter dificuldades para atuar contra nós no curto prazo, mas também temos de levar em conta que a Síria tem sistemas armamentistas e armas russas avançadas, como os mísseis Yakhont", afirmou.

O chefe do Estado-Maior acredita que a queda de Assad poderia provocar uma fuga dos alauitas (pertencentes a uma vertente do xiismo minoritária na Síria, à qual pertence a elite dirigente e o próprio presidente). "O dia em que o regime sírio cair será um golpe aos alauitas, e estamos nos preparando para absorver esses refugiados", afirmou.

Em Damasco, Assad reiterou nesta terça-feira que não renunciará a seu cargo e advertiu que baterá com punho de ferro nos "terroristas" , que aponta como responsáveis pelas revoltas e manifestações civis que acontecem desde março.

"Não haverá flexibilidade com quem aterroriza os cidadãos; a luta contra o terrorismo é a luta de todos. Não conseguirão destruir nossa identidade nem desestabilizar nosso convencimento de que a resistência está no coração de nossa identidade", declarou em conferência na Universidade de Damasco.

O presidente também anunciou para a primeira semana de março a realização de um referendo sobre a nova Constituição, preparado por um comitê de especialistas, e antecipou a possibilidade de realizar eleições legislativas em maio ou junho.

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