Irmandade Muçulmana diz não querer revolução islâmica no Egito

Maior grupo opositor prefere chamar manifestações de levante do povo egípcio; Hillary Clinton advertiu para riscos no mundo árabe

iG São Paulo |

Maior grupo de oposição no Egito, a Irmandade Muçulmana não quer "que a insurreição no país seja apresentada como uma revolução islâmica", explicou seu porta-voz Rashad al Bayumi à revista alemã Der Spiegel.

AFP
Manifestantes deitam no chão da praça e desafiam soldados no Cairo
"Nos mantemos num segundo plano durante as manifestações, por não querer que sejam apresentadas como uma revolução da Irmandade Muçulmana. É um levante do povo egípcio", explicou al Bayumi.

O número 2 da organização islamita lamenta que o regime do presidente Hosni Mubarak "transmita voluntariamente uma visão deformada do movimento e manipule a opinião pública". "O Ocidente não quer nos ouvir. Não somos diabos. Queremos a paz, não a violência. Nossa religião não é diabólica. Nossa religião respeita os fiéis de outras crenças, esses são nossos princípios", assegurou.

Na mesma edição do semanário aparece, também, uma entrevista com o senador republicano americano John McCain, rejeitando a ideia de uma participação da Irmandade Muçulmana em um governo de transição, o que consideraria um "um erro histórico". "A Irmandade Muçulmana é um grupo extremista, que tem como principal objetivo a instauração da sharia, o código de leis islâmicas. É totalmente antidemocrático, em especial no que se refere aos direitos das mulheres", acrescentou McCain.

Mundo árabe

Neste sábado também, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu aos 350 convidados à 47ª Conferência de Segurança de Munique a "existência de riscos no curto prazo" nas revoltas civis árabes do Egito, Tunísia e Iêmen.

"O atual processo pode ceder lugar a uma instabilidade transitória, pior ainda da vista atualmente", advertiu a secretária de Estado americana, referindo-se à ameaça latente de as mudanças "conduzirem a queda do regime autoritário”.

Hillary exigiu dos governantes árabes "colaboração com a sociedade civil" e "preparação de uma transição democrática bem organizada, planejada e transparente". "Eleições livres são condições indispensáveis para o funcionamento de uma democracia", assinalou Hillary.

A responsável pela política externa dos Estados Unidos ressaltou que "sem progresso sério em direção a uma sociedade aberta e melhores condições econômicas que costumam ir unidas à democracia a distância que separa o governo dos governados crescerá".

*Com EFE e AFP

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