Interpol lança alerta contra Muamar Kadafi e outros 15 líbios

Organização considera que líder líbio, parentes e assessores estão envolvidos em ataques, como bombardeios aéreos, contra civis

iG São Paulo |

A Interpol lançou nesta sexta-feira um alerta internacional contra o líder líbio Muamar Kadafi e outros 15 líbios, incluindo membros de sua família e assessores íntimos, informou a organização.
"Interpol visa a avisar aos países membros que os movimentos destas pessoas e seus ativos são perigosos", depois das sanções decretadas pelo Conselho de Segurança da ONU.

A organização considera que Kadafi, seus famíliares e assessores estão envolvidos no planejamento de ataques, como bombardeios aéreos, contra a população civil.

A organização policial enviou o aviso, que denomina "alerta laranja", a seus 188 países-membros para facilitar a aplicação das sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) e colaborar com a investigação que iniciou a Tribunal Penal Internacional (TPI). O objetivo é coordenar as ações dos países-membros da Interpol para que nenhum dos incluídos na lista possa atravessar suas fronteiras, e garantir que permaneçam congelados seus bens fora da Líbia.

Reuters
Rebelde tenta se proteger de forças leais a Kadafi, perto de Ras Lanuf, na Líbia
"Como prioridade principal, devemos trabalhar para proteger a população civil da Líbia e de qualquer país ao que estes indivíduos líbios possam tentar viajar ou movimentar seus bens", declarou o secretário-geral da Interpol, Robert K. Nobre. As bases de dados da Interpol, que enviam informação aos corpos de segurança dos países-membros, servirá para a investigação do TPI, ressaltou Nobre em comunicado.

Nesta sexta-feira, forças leais a Kadafi usaram bombas de gás para tentar dispersar manifestantes que saíram às ruas da capital, Trípoli. Também há relatos de que as forças pró-Kadafi atiraram durante os protestos, que começaram após as orações do meio-dia (horário local).

Segundo o jornal americano The New York Times, a marcha contra Kadafi começou com milhares de manifestantes, mas o número diminuiu com os ataques das forças de segurança. Ainda assim, centenas de líbios continuam protestando, principalmente no distrito de Tajoura.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem como "Liberdade para a Líbia" e "Tajura vai te enterrar", em referência a Kadafi. Eles também balançaram a antiga bandeira do país, da época da monarquia, e queimaram a atual, símbolo da era Kadafi.

Capital

Manter o controle da capital é crucial para Kadafi, que perdeu para os opositores toda a região leste do país e também de algumas cidades do oeste. Em preparação para enfrentar os protestos, no início da manhã as forças pró-Kadafi reforçaram a segurança em Trípoli, criando postos de controle e fazendo revistas. Segundo a agência AP, o acesso à internet foi totalmente interrompido.

Manifestações também acontecem em Benghazi, cidade onde os protestos contra Kadafi começaram e a primeira a ser controlada pelos opositores.

Jornalistas estrangeiros  foram impedidos de deixar um hotel em Trípoli por algumas horas. Um porta-voz do governo disse que a decisão buscava proteger os jornalistas de "elementos da Al-Qaeda". Cerca de 130 jornalistas estavam no hotel, integrando uma visita oficial organizada pelo governo.

Também nesta sexta-feira, uma brigada liderada por um dos filhos de Kadafi liderou um novo ataque em Zawiya, a cidade mais próxima de Trípoli que está nas mãos da oposição. As tropas da brigada Khamis - nome do filho do líder - fizeram uma ofensiva no lado oeste de Zawiya, atirando com metralhadoras e armas automáticas contra opositores e militares que desertaram e passaram a apoiar o movimento pró-Kadafi. Segundo a rede de TV americana CNN, ao menos 15 teriam morrido e outros 200, ficado feridos.

Há relatos de novos bombardeios na cidade de Ajdabiya, no leste do país, alvo de ataques pelo terceiro dia consecutivo. Nesta semana, várias investidas das forças pró-Kadafi em Ajdabiya e em outra cidade próxima, Brega, foram repelidas pelos opositores.

A crise na Líbia parece ter chegado a um impasse. As forças de Kadafi não conseguem fazer avanços significativos para retomar o território controlado pelos opositores. Ao mesmo tempo, os rebeldes não conseguiram avançar nas áreas que ainda estão nas mãos do regime.

Refugiados

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) anunciou nesta sexta-feira que a fronteira da Líbia com a Tunísia é controlada pelas forças leais ao regime do líder Muamar Kadafi.

"O lado líbio da fronteira está sob controle de tropas fortemente armadas", afirmou Melissa Fleming, porta-voz do Acnur.

De acordo com a agência, na quinta-feira apenas duas mil pessoas conseguiram atravessar a fronteira.

"Nos dias anteriores, entre 10 mil e 15 mil fugiam diariamente para a Tunísia", afirmou Melissa. "Estamos muito preocupados que a situação da segurança na Líbia esteja impedindo as pessoas de atravessar."

A porta-voz acrescentou que os refugiados que conseguiram chegar à Tunísia contaram que seus telefones e câmera fotográficas foram confiscados. "Muitos dos que cruzaram a fronteira parecem assustados e não querem falar", disse. Segundo Melissa Fleming, estrangeiros que ajudam no trabalho de assistência humanitária estão se sentindo "perseguidos" e "alvos" das forças pró-Kadafi.

Nesta sexta-feira, a Cruz Vermelha afirmou que duas de suas ambulâncias foram atacadas na cidade de Misrata. Dois funcionários ficaram feridos e um dos veículos foi incendiado e totalmente destruído.

*Com AP, EFE, AFP e Reuters

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