Interpol emite ordens de detenção contra Kadafi e um de seus filhos

Ex-chefe dos serviços de inteligência militar da Líbia também é alvo de 'alerta vermelho', conforme pedido do TPI

iG São Paulo |

A Interpol anunciou nesta sexta-feira que emitiu ordens de detenção contra o líder deposto da Líbia Muamar Kadafi, seu filho Said al-Islam e seu cunhado e ex-chefe dos serviços de Inteligência Militar do regime Abdullah Sanussi.

A medida atende a um pedido feito na véspera pelo promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, que acusa os três homens de crimes contra a humanidade.

Reuters
Homem escreve frases anti-Kadafi em muro próximo ao local que o líder foragido usava como quartel-general em Trípoli

Kadafi não é visto em público há meses e está foragido desde que os rebeldes líbios invadiram a capital, Trípoli, em 21 de agosto. Em comunicado, a Interpol disse que a ordem de detenção – conhecida como “alerta vermelho” – foi repassada a todos os 188 países-membros.

Para o secretário-geral da Interpol, Ronald K. Noble, a ordem de detenção é uma “ferramenta poderosa” que pode auxiliar a busca pelos foragidos, “restringindo a habilidade dos três homens de cruzar fronteiras internacionais”.

Na quinta-feira, uma TV síria divulgou o áudio de uma entrevista com Kadafi na qual o líder negou que tenha fugido para o Níger e classificou os rumores de que ele teria cruzado a fronteira entre os dois países como mentiras e "guerra psicológica". Na terça-feira, um comboio com cerca de 50 veículos líbios fortemente armados cruzou a fronteira para o Níger.

Nesta sexta-feira, autoridades nigerinas que não quiseram ser identificadas afirmaram que o general Ali Kama, líder das forças leais a Kadafi no sul da Líbia, cruzou a fronteira e está no Níger.

Na entrevista à TV síria, que teria sido feita a partir de uma localidade não determinada dentro do território líbio, Kadafi afirmou que não havia nada de anormal sobre os comboios que entraram no Níger.
Ele garantiu que seus aliados derrotarão as forças da Otan e do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos rebeldes.

"Os jovens estão agora prontos para aumentar a resistência contra os 'ratos' em Trípoli e acabar com os mercenários", afirmou. "Eles estão tentando desmoralizar vocês, mas Kadafi não vai deixar a terra de seus ancestrais", completou, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa.

Um alto membro do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes), Fathi Baja, afirmou que as novas autoridades líbias pedirão ao Níger que envie de volta à Líbia qualquer colaborador de Kadafi.

Um porta-voz da Otan afirmou que Kadafi não é alvo de suas operações na Líbia, mas que a organização continuará a bombardear "centros de comando e controle" ligados ao ex-líder.

"Se tivermos informações de inteligência que revelem que ataques estão sendo coordenados de alguma localidade específica ou que comunicações estão sendo enviadas ou recebidas para promover ataques ou com ameaças de ataques, nós agiremos", afirmou.

Com EFE

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