Inércia diplomática encoraja mais violência na Síria, diz ONU

Chefe de direitos humanos da ONU culpa desacordo no Conselho de Segurança por aumento da violência de Assad contra civis

iG São Paulo |

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Navi Pillay, Alta Comissária dos Direitos Humanos das Nações Unidas (10/12)
A chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) culpou nesta segunda-feira o desacordo no Conselho de Segurança pelo aumento da violência do governo sírio contra a oposição em sua campanha para reprimir os protestos contra o regime do presidente Bashar al-Assad. Rússia e China vetaram no dia 4 de fevereiro um esboço de uma resolução que condenava a repressão.

"O fracasso do Conselho de Segurança em concordar com uma ação coletiva firme incentivou o governo sírio a lançar um ataque total em um esforço para reprimir a dissidência com uma força opressiva", disse a alta comissária de direitos humanos, Navi Pillay, na Assembleia Geral da ONU.

"Estou particularmente aterrorizada pelos ataques violentos em Homs", afirmou. "De acordo com relatos críveis, o Exército sírio bombardeou regiões densamente povoadas de Homs, no que parece ser um ataque indiscriminado a áreas civis."

Uma proposta da Liga Árabe para aumentar o apoio ao levante contra o presidente da Síria e enviar uma missão de paz estrangeira resultou em uma resposta internacional cautelosa na segunda-feira. Não havia muitos sinais de que o derramamento de sangue terminaria em breve.

A Rússia, país aliado de Assad e grande fornecedor de armas, disse que não poderá apoiar uma missão de paz a menos que ambos os lados cessassem a violência antes. Alguns sentiram que as movimentações serviram apenas para alimentar as chamas da guerra.

"Percebemos que as decisões estão tomando um rumo grave para a Síria e para a região", disse o ministro das Relações Exteriores do Líbano, Adnan Mansour, em Beirute. Outros observadores afirmaram que isso era apenas o início de um processo longo e complexo para resolver o que potencialmente é a mais perigosa das revoltas da Primavera Árabe .

No campo de batalha, as forças do governo sírio bombardearam distritos rebeldes de Homs e atacaram outras cidades na campanha para reprimir a oposição ao governo de Assad. Tiros de morteiro e de tanques atingiram o distrito de Baba Amro, mas não se sabia o número de vítimas porque a comunicação havia sido cortada, disse à Reuters o ativista Mohammad al-Hassan, de Homs.

Os ativistas afirmaram que houve 23 mortes no domingo, que se somaram a um total de mais de 300 desde o início da investida (em 3 de fevereiro) em Homs, estrategicamente localizada na rodovia entre a capital Damasco e a segunda cidade do país, Aleppo .

Segundo a ONU, mais de 5 mil, a maioria civis, morreram na repressão aos protestos na Síria. O governo sírio diz enfrentar a ação de "terroristas armados" que, com patrocínio estrangeiro, tentam desestabilizar o país.

Enquanto isso, as potências mundiais digeriam as propostas da Liga Árabe apresentadas em uma reunião no Cairo no domingo, pedindo por uma força de paz conjunta com a ONU para a Síria e prometendo fornecer assistência política e material à oposição. O plano enfrenta todos os tipos de obstáculos, e os governos estrangeiros estão divididos sobre como resolver a crise.

Na Assembleia Geral, Pillay pediu que a comunidade internacional atue "urgentemente" para proteger a população civil na Síria dos ataques "sistemáticos" do regime. "Quanto mais tarde a comunidade internacional agir, mais a população civil sofrerá com as inúmeras atrocidades que estão sendo cometidas", disse.

Segundo a alta comissária, a repressão continua com uma "campanha em massa de detenções", que levou à "prisão arbitrária de milhares de manifestantes e ativistas" e também ao "desaparecimento forçado" de muitos dos detidos.

Pillay denunciou "o uso sistemático e estendido de torturas" nos centros de detenção e interrogatório das forças de segurança, às quais também acusou de episódios de "violência sexual" e de também dirigir a repressão aos menores, já que se estima que cerca de 400 crianças morreram desde o início da repressão, há 11 meses.

*Reuters e EFE

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