Iemenitas mantêm protestos apesar de 'acordo' para saída de Saleh

Manifestantes rejeitam proposta que prevê imunidade judicial para líder e exigem que ele deixe o poder imediatamente

iG São Paulo |

Milhares de iemenitas saíram às ruas de Sanaa neste domingo para protestar contra o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, um dia depois de ele aceitar deixar o cargo que ocupa há 32 anos. Os manifestantes rejeitam o plano que prevê imunidade judicial para o líder e seus filhos e exigem sua saída imediata do poder.

Pelo plano proposto por países do Golfo Pérsico, Saleh passaria o poder ao vice em 30 dias e nomearia um integrante da oposição para liderar um governo interino que deve preparar eleições presidenciais em dois meses. Em troca, ele e seus filhos ganhariam imunidade judicial e não poderiam ser processados.

Uma coalizão de sete partidos da oposição concordou com a proposta, mas os adversários de Saleh incluem vários grupos diferentes, muitos dos quais não participaram das negociações e rapidamente rejeitaram o acordo.

Em Sanaa, milhares gritavam palavras de ordem na Praça Mudança. "As propostas não são aceitáveis e os partidos de oposição não nos representam", afirmou Khaled al-Ansi, líder de um movimento jovem que é um dos organizadores dos protestos nas ruas. "Saleh está por trás de tudo e deve ser julgado, assim como seus filhos", afirmou, em referência ao uso de violência contra manifestantes desde que a crise começou.

Grupos da oposição estimam que a repressão às manifestações tenham deixados mais de 130 mortos. O dia mais violento foi 18 de março, quando cerca de 40 manifestantes foram mortos - depois, em protesto conta a repressão, militares, diplomatas e políticos deixaram de apoiar Saleh.

Na tentativa de conter a onda de manifestações, ele ofereceu concessões, como a promessa de que não concorreria à reeleição depois do fim de seu mandato, em 2013, e que seu filho não concorreria ao cargo. Nenhuma delas foi suficiente na opinião da oposição.

'Golpe'

Em entrevista à rede britânica BBC transmitida neste domingo, Saleh afirmou que os protestos pedindo sua saída são uma tentativa de golpe. "Vocês dos Estados Unidos e do Ocidente me dizem para entregar o poder. A quem eu devo entregá-lo? Àqueles que estão tentando fazer um golpe?", afirmou. "Nós faremos isto por meio das urnas e dos referendos. Nós convidaremos observadores internacionais para monitorar - mas um golpe não é aceitável".

Saleh disse que a rede Al-Qaeda se infiltrou entre os manifestantes iemenitas. "Na Rua da Universidade (local dos acampamentos de manifestantes), há uma mistura de nasseristas (partidários da ideologia nacionalista do ex-presidente egípcio Gamal Abdel Nasser), socialistas, integrantes da Irmandade Muçulmana e a Al-Qaeda", afirmou o presidente.

Saleh também acusa a Al-Qaeda de, em meio aos protestos, bloquear estradas e de cortar dutos de combustível, prejudicando o abastecimento no país. "Quem está fazendo isto? É a Al-Qaeda. Por que o ocidente não está olhando para este trabalho destrutivo e as suas perigosas implicações para o futuro?", afirmou.

"O Ocidente criou a Al-Qaeda durante a Guerra Fria no Afeganistão. Agora o ocidente paga o preço por seu apoio à Al-Qaeda. Agora eles ignoram o que a Al-Qaeda está fazendo no Iêmen e eles pagarão o preço", disse Saleh.

Se o líder realmente deixar o poder, se tornará o terceiro líder árabe a perder o cargo após a onda de levantes populares que atingiu a região este ano, após Zine al-Abidine Ben Ali na Tunísia e Hosni Mubarak no Egito.

Com BBC e AP

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