Iêmen é palco de choques após resolução da ONU

Conselho de Segurança condenou repressão a protestos e pediu que presidente assine renúncia em troca de imunidade

iG São Paulo |

As forças do governo do Iêmen entraram em conflito com opositores na capital, Sanaa, neste sábado, um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU ter pedido que o presidente Ali Abdullah Saleh assinasse um acordo de renúncia em troca de imunidade, e ter condenado a repressão aos protestos que exigem o fim dos 33 anos de Saleh no poder.

AFP
Fumaça é vista em Sanaa, capital do Iêmen, palco de confrontos neste sábado

Médicos e testemunhas disseram que dezenas de pessoas foram feridas durante os conflitos. Foguetes lançadores de granadas, morteiros e armas automáticas foram usadas nas vizinhanças de Soufan e Al-Nahda, região norte de Sanaa, onde estão estabelecidos membros dissidentes do Exército e combatentes tribais.

Eles disseram que ao menos cinco pessoas morreram durante confrontos na madrugada entre forças leais a Saleh e soldados liderados por Ali Mohsen al-Ahmer, um general que se rebelou depois que os manifestantes começaram protestos quase diários, em fevereiro.

Matadores profissionais ligados ao líder tribal Sadeq Al-Ahmar também estavam envolvidos nos combates. Testemunhas disseram que uma fumaça grossa e negra pairava acima dos bairros afetados e que muitos prédios foram destruídos.

Autoridades iemenitas disseram que as forças do governo retomaram o prédio da Câmara Alta do Parlamento, no norte de Sanaa, que fora ocupado por tropas da oposição.

Em comunicado divulgado na noite de sexta-feira, o Exército de Libertação do Iêmen do general Al-Ahmar acusou Saleh de ordenar um ataque nos bairros do norte da capital na noite anterior. Ele afirmou que o ataque durara mais de 20 horas e matara 21 pessoas, inclusive oito civis e 13 soldados. O governo diz que as forças de Al-Ahmar começaram os conflitos.

ONU

Respondendo à decisão feita pela ONU na noite de sexta-feira, uma fonte do governo iemenita disse que Sanaa continua comprometida com o plano de paz do Golfo e pediu ajuda internacional para  garantir sua implementação.

"O governo iemenita está disposto a lidar positivamente com a resolução 2014 do Conselho de Segurança da ONU, porque ele está de acordo com os esforços do governo iemenita para pôr fim à crise política na base da iniciativa do Conselho de Cooperação do Golfo", disse uma fonte do governo iemenita em comunicado obtido pela Reuters.

Saleh desistiu três vezes de assinar a iniciativa do Golfo, que veio após meses de protestos.

O comunicado pedia que os Estados Árabes do Golfo, a Europa e outros membros da comunidade internacional ajudassem a retomar as negociações entre governo do Iêmen e partidos de oposição para acertar um mecanismo para implementar o acordo da iniciativa.

Os Estados Unidos temem que mais violência no Iêmen encoraje a Al-Qaeda na Península Arábica a iniciar ataques na região e além.

Com Reuters

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