Iêmen aceita saída do presidente para solucionar crise

Após mais de 30 anos no poder, o presidente Ali Abdullah Salehestá aceitou o plano proposto pelas monarquias do Golfo Pérsico

iG São Paulo |

O Congresso Popular Geral, partido no poder no Iêmen, aceitou o plano proposto pelas monarquias do Golfo que prevê a saída do presidente Ali Abdullah Saleh para solucionar a crise no país. Pelo acordo, Saleh deve apresentar sua demissão ao Parlamento no prazo de 30 dias, dando lugar a uma presidência interina e a um governo de união que organizará eleições presidenciais nos 60 dias seguintes.

AFP
Manifestante anti-governo pede a renúncia de Saleh
Como forma de propor um fim aos protestos liderados pela oposição e à crise política no Iêmen, o Conselho de Cooperação do Golfo propôs a criação de um governo de união nacional, com a passagem do poder de Ali Abdullah Saleh para seu vice-presidente.

O presidente do Iêmen, no poder há 32 anos, disse na sexta-feira a seus partidários que aceita o Plano do Golfo, para "cooperar de forma positiva, com base na Constituição" do Iêmen. O presidente, no entanto, insiste em entregar o poder "apenas seguindo um processo ordenado e constitucional".

Os Estados Unidos exortaram Abdullah Saleh a iniciar "imediatamente" a transição política, com base na proposta das monarquias do Golfo. "O presidente Saleh já manifestou publicamente sua vontade de fazer uma transição pacífica do poder; e o tempo e a forma desta transição devem ser marcados pelo diálogo e começar imediatamente", disse o porta-voz do departamento americano de Estado Mark Toner.

Caso cumpra o acordo, Saleh, sua família e assessores receberiam imunidade e não poderiam ser processados. Se ele deixar o poder como previsto, se tornará o terceiro líder árabe a perder o cargo após a onda de levantes populares que atingiu a região este ano, após Zine al-Abidine Ben Ali na Tunísia e Hosni Mubarak no Egito.

Pelo menos 120 pessoas morreram no Iêmen nos últimos dois meses em protestos contra o governo. Centenas de pessoas participaram de uma manifestação de apoio ao presidente na sexta-feira, mas o evento foi bem menor do que os protestos contra o regime dos últimos meses.

No sábado, uma greve geral paralisou várias cidades iemitas, mas teve pouco efeito na capital, Sanaa. Nos últimos dois meses, Saleh usou da violência para conter a insurgência no país. Ele também ofereceu concessões, como a promessa de que não concorreria à reeleição depois do fim de seu mandato, em 2013, e que seu filho não concorrerá ao cargo.

Com AFP e BBC

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