Ídolo, ator Amr Waked diz que Mubarak tenta evitar ser massacrado

Aclamado na praça Tahrir, artista, que teve o irmão preso nos protestos, defende que presidente egípcio seja julgado por seus atos

Raphael Gomide, enviado ao Cairo |

Raphael Gomide
O ator Amr Waked, que faz coro aos protestos no Egito
Ídolo no país, o ator egípcio Amr Waked, afirmou ao iG neste domingo que o presidente Hosni Mubarak busca um acordo com a oposição para deixar o poder sem ser “massacrado” e processado por corrupção pelo povo, que luta para sobreviver enquanto sua família dispõe de uma fortuna estimada em US$ 70 bilhões de dólares, segundo o jornal britânico The Guardian.

Amr Waked é um artista consagrado no Egito e atuou ao lado de George Clooney no filme Syriana (2005). Neste domigo, na praça Tahrir , não conseguia caminhar sem ser cercado por admiradores, que o abraçavam, beijavam e pediam para tirar fotos ao seu lado. No local, ele encontrou o diretor de cinema Khaled Yousef, outra personalidade no país.

O ator se manifestou em apoio aos protestos desde os primeiros dias . Nesse período, seu irmão foi detido pelas forças de segurança e ficou incomunicável por 48h, mas já foi liberado.

“Pode levar algum tempo [para Mubarak sair], porque ele não quer parecer mal na história. Se ele renunciar agora, vai ser massacrado, por isso ele está buscando um acordo, uma negociação. É uma questão de US$ 70 bilhões ( valor estimado de seus bens ). O povo quer que ele preste contas e seja julgado por seus atos”, disse.

Waked afirmou que o povo não quer Mubarak e vai ficar na praça até ele deixar o poder .
“Eles vão ficara aqui por oito meses, se precisarem. Todos os dias são caras novas. Já passaram 20 milhões pelas ruas”, afirmou.

O ator não acredita que o governo volte a usar violência contra os manifestantes, que ele já qualificou de “inaceitável, por qualquer padrão de humanidade”. Segundo ele, o regime substituiu a “guerra convencional” pela “guerra psicológica”, e agora investe em mensagens apócrifas no Facebook e por telefone, buscando convencer a população de que ele é um “pai” do povo e um “herói de guerra”.

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