Hillary diz que EUA buscam formas de aumentar pressão sobre Síria

Declaração é feita em meio ao aumento da repressão no país; oposição convoca grande manifestação para amanhã

iG São Paulo |

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta quinta-feira que os EUA e seus aliados buscam formas de aumentar a pressão sobre o governo sírio para que realize reformas. Hillary, em visita à Groenlândia para um encontro com chanceleres, disse que o presidente sírio, Bashar al-Assad, está cada vez mais isolado.

AP
Imagem de vídeo amador de 24/04/2011 postado no YouTube mostra homens com mulher ferida em Deraa, Síria
"Vamos cobrar o governo sírio", disse Hillary após reunião com o ministro das Relações Exteriores dinamarquês. "Os Estados Unidos, ao lado da Dinamarca e de outros colegas, procurarão maneiras de aumentar a pressão", afirmou.

"Apesar da enorme condenação internacional, o governo sírio continua a reprimir de forma brutal seus próprios cidadãos", disse, citando casos como prisões arbitrárias, torturas e detenções de equipes médicas que cuidavam de feridos.

Para a chefe da diplomacia dos EUA, a repressão às manifestações na Síria é "um sinal de grande fraqueza" e não de poder.

Na quarta-feira, tanques sírios bombardearam áreas residenciais em duas cidades deixando ao menos 18 mortos no país, segundo ativistas de direitos humanos, enquanto as forças leais a Assad tentam reprimir as revoltas populares.

O regime sírio, impassível diante dos protestos internacionais, intensificou nesta quinta-feira a repressão à revolta tomando o controle de outros povoados e efetuando centenas de detenções. De acordo com uma organização de direitos humanos, dezenas foram presos em Banias (noroeste do país), base do movimento opositor na Síria, enquanto líderes da onda de contestação convocaram uma nova manifestação para sexta-feira

O portal "The Syrian Revolution 2001" (a Revolução Síria 2011), criado por jovens opositores ao governo do presidente Assad, lançou um chamado ao protesto e em defesa dos detidos. "Em 13 de maio protestaremos pela dignidade dos nossos irmãos detidos", escreveram os organizadores, que batizaram o dia de "sexta-feira das mulheres livres".

Várias manifestantes foram presas nas últimas semanas, principalmente em Damasco e Banias, por clamar pela libertação de seus parentes e pelo fim do cerco às cidades. Segundo os militantes, quatro mulheres que participaram dos protestos foram mortas em 7 de maio em Banias.

Após o anúncio de várias reformas, incluindo o fim do estado de emergência em vigor no país há mais de 50 anos e a preparação de uma nova lei eleitoral, o governo continua a repressão ignorando os apelos da comunidade internacional que hesitam em pedir a saída de Assad.

Um primo de Assad, Rami Ajiluf, que está na lista dos 13 sírios que a União Europeia impôs sanções , declarou em uma entrevista publicada na terça-feira: "Lutaremos até o fim. Não vamos sair."

O Exército reforçou nos últimos dias a repressão em várias cidades, como Homs, onde os soldados entraram em 6 de maio, e Banias, onde as autoridades afirmaram ter prendido "grupos de terroristas armados". Os opositores afirmam que os moradores dessas cidades estão "aterrorizados" e garantem que há muitos "corpos nas ruas" que não são retirados por medo de atiradores de elite.

A repressão atingiu também os subúrbios de Damasco. Em um bairro, Muadamiya, sitiado pelos tanques, o Exército prendeu "centenas, famílias inteiras", afirmou o chefe da Organização Nacional de Direitos Humanos, Amar Qurabi.

"Foi imposto o toque de recolher. O Exército transformou as escolas em centros de detenção e tomou o controle das mesquitas", relatou Qurabi, acrescentando que em Qatan, outro subúrbio de Damasco, também está sitiado.

Os poucos jornalistas estrangeiros na Síria não podem se movimentar sem a autorização das autoridades. Nesse contexto a chefe de diplomacia européia, Catherine Ashton, não descartou que as sanções contra os 13 membros do regime sírio seja estendidas ao presidente Assad.

*Com Reuters, AFP e EFE

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