Hillary condena Rússia e China e pede união aos 'amigos da Síria'

Secretária de Estado americana diz que decisão russa e chinesa de vetar resolução da ONU contra Assad foi 'absurda'

iG São Paulo |

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, fez um apelo neste domingo pela união dos “amigos da Síria democrática”, um dia após a Rússia e a China vetarem uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o governo do presidente sírio, Bashar Al-Assad.

“O que aconteceu ontem (sábado) na ONU foi um absurdo”, afirmou Hillary em Sófia, na Bulgária. “Diante de um Conselho de Segurança neutralizado, temos de redobrar nossos esforços fora da ONU com os aliados e parceiros que apoiam o direito do povo sírio de ter um futuro melhor.”

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Manifestantes queimam bandeiras da China e da Rússia durante protesto em Beirute, no Líbano

“Vamos trabalhar para expor aqueles que ainda estão financiando o regime de Assad e mandando armas para serem usadas contra sírios indefesos, incluindo mulheres e crianças’, afirmou. “Vamos trabalhar com os amigos da Síria democrática em todo o mundo para apoiar os planos de mudança pacíficos da oposição.”

Hillary afirmou que nos próximos dias fará consultas com aliados dos EUA para definir o que pode ser feito na síria “antes que seja tarde”. “Naqueles 13 votos a favor da resolução da ONU você tinha europeus, árabes, africanos, latino-americanos e asiáticos”, lembrou a secretária. “A comunidade internacional quer o fim da violência.”

De acordo com a Associated Press, o grupo de “amigos da Síria” seguiria os moldes do Grupo de Contato da Líbia, que coordenou a ajuda internacional aos opositores do ex-líder líbio Muamar Kadafi . Porém, no caso da Líbia o grupo também coordenava operações militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), algo não cogitado no caso sírio.

Autoridades americanas ouvidas pela agência disseram que o grupo poderia aumentar o isolamento do regime de Assad fortalecendo sanções, unificando a oposição, oferecendo ajuda humanitária à população e controlando a venda de armas para prevenir uma escalada de violência.

'Licença para matar'

O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne grupos de oposição da Síria, afirmou que a Rússia e a China deram uma " licença para matar " a Assad. "O CNS considera ambos os países responsáveis pelo agravamento das mortes e genocídio, e considera este passo irresponsável uma licença para que o regime sírio mate sem ser responsabilizado", disse uma declaração divulgada pelo grupo.

A ativista iemenita e vencedora do prêmio Nobel da Paz Tawakul Karman também afirmou que os dois países passaram a ter responsabilidade moral pelas mortes na Síria.

AP
Menino participa de protesto contra Assad em Binsh, perto de Idlib, na Síria (03/02)
Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, rejeitaram a proposta de resolução que defendia "uma transição política, liderada pela Síria, para um sistema político democrático e plural".

O veto já havia sido duramente criticado por diplomatas ocidentais, que se disseram "indignados" e "horrorizados" com a rejeição do texto. A proposta de resolução - que contava com o apoio dos outros 13 integrantes do Conselho e da Liga Árabe, representante dos países da região - era considerada por analistas como o esforço mais importante feito até agora pela ONU para solucionar a crise na Síria.

A decisão aconteceu em um dos dias mais sangrentos desde o início do levante contra o governo de Bashar al-Assad, há 11 meses. Grupos rebeldes e ativistas dizem que um ataque militar contra a cidade de Homs na madrugada de sábado teria deixado mais de 200 civis mortos .

A mídia estatal síria negou que tenha havido uma ofensiva militar em Homs e acusou a oposição de ter inventado os ataques. A imprensa oficial também elogiou o veto de Rússia e China, alegando que ele será um incentivo para as reformas políticas prometidas pelo governo.

Críticas

A Rússia é o principal aliado da Síria no Conselho de Segurança da ONU e já tinha afirmado que iria vetar a resolução. O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, criticou a proposta de resolução que, segundo ele, tinha medidas apenas contra o presidente Bashar al-Assad e não previa punições aos grupos de oposição armados. Lavrov deve se reunir com Bashar al-Assad em Damasco na terça-feira, junto com o chefe do Serviço de Inteligência Internacional da Rússia, Mikhail Fradkov.

Mohammed Loulichki, embaixador do Marrocos na ONU e único membro árabe do atual conselho da ONU, afirmou que estava profundamente "decepcionado" com o veto de Rússia e China à resolução.

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, afirmou que o veto foi "vergonhoso" e mostrou que os russos e chineses "protegem um tirano". "Qualquer derramamento de sangue estará nas mãos deles", acrescentou Rice.

O enviado do Reino Unido à ONU, Mark Lyall Grant, afirmou que os britânicos estão "chocados" com a rejeição da resolução. O embaixador francês na ONU, Gerard Araud, também lamentou a decisão. "É um dia triste para o conselho, um dia triste para todos os sírios e um dia triste para a democracia", disse.

A ONU parou de estimar o total de mortos durante os confrontos na Síria quando o número chegou a 5,4 mil, em janeiro, alegando que era muito difícil confirmar os dados. O governo sírio diz que pelo menos 2 mil integrantes das forças de segurança foram mortos "lutando contra gangues armadas e terroristas".

Com BBC, AFP e EFE

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