Grupos de oposição desafiam governo e prometem mais protestos na Síria

Ministério do Interior sírio deu aos manifestantes prazo de duas semanas para entregarem suas armas

BBC Brasil |

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Grupos de oposição na Síria afirmaram que vão fazer mais protestos contra o governo diariamente nesta semana mesmo depois de a polícia ter detido centenas de pessoas em muitas partes do país. O Ministério do Interior sírio deu aos manifestantes um prazo de duas semanas para entregarem suas armas.

AFP
Manifestantes fazem protesto antigoverno em Banias, na Síria

Jornalistas estrangeiros não têm permissão para entrar no país, mas o correspondente da BBC para o Oriente Médio Wyre Davies está na fronteira da Síria com a Jordânia e afirma que o governo sírio encara os manifestantes como criminosos, em vez de cidadãos que exigem reformas políticas.

De acordo com Davies, o regime do presidente Bashar al-Assad parece estar usando táticas ainda mais duras para tentar encerrar as cinco semanas de protestos no país.

Na segunda-feira, a agência de notícias estatal da Síria informou que as forças de segurança do país mataram pelo menos dez pessoas e prenderam 499 suspeitos no domingo na cidade de Deraa, no sul do país. Nesta terça-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha divulgou um apelo urgente no qual pediu acesso imediato e sem restrições a todos os prisioneiros e aos feridos nos confrontos.

Centenas de pessoas teriam sido mortas e feridas nos últimos dias, principalmente em cidades como Deraa, onde imagens feitas por moradores parecem mostrar as forças do governo usando munição verdadeira contra os manifestantes.

Grupos de defesa dos direitos civis afirmam que 560 pessoas foram mortas desde o início dos protestos, em 15 de março. O governo diz que quase 80 integrantes das forças de segurança foram mortos nesse período.

'Forças externas'

Na semana passada, centenas de integrantes do partido governista Baath se desligaram do governo em protesto contra a violência contra os manifestantes. O governo culpa "forças externas" pelo levante, que é considerado o maior desafio enfrentado até hoje pela família Assad em suas quatro décadas no poder do país.

Os Estados bloquearam os bens de altos integrantes do governo, assim como os de Maher Assad, irmão de Bashar e comandante de uma temida divisão do Exército. A Síria é considerada um dos mais repressivos países árabes. Os protestos antigovernistas são inspirados nos levantes populares que derrubaram os governos de Tunísia e Egito e deflagraram a crise na Líbia.

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