Grupos de oposição da Síria se unem em plano para era pós-Assad

Dois dos principais partidos opositores concordam com roteiro para chegar à democracia se protestos forçarem renúncia de líder

iG São Paulo |

Dois dos principais partidos opositores sírios concordaram com um roteiro para chegar à democracia se os protestos em massa tiverem sucesso em derrubar o presidente Bashar al-Assad, de acordo com uma cópia do documento ao qual a Reuters teve acesso.

AP
Imagem reproduzida de vídeo amador alega mostrar manifestante ferido sendo retirado de Douma, subúrbio de Damasco, Síria, em 30/12
O grupo de oposição líder o Conselho Nacional Sírio (CNS), em exílio, assinou o acordo com o Comitê de Coordenação Nacional, grupo cuja maioria está dentro da Síria e discordou de ensejos do CNS por intervenção internacional. Essa foi uma de algumas disputas que dividiram os grupos de oposição e os impediram de chegar a um acordo sobre como uma Síria pós-Assad seria.

De acordo com o pacto, os dois lados "rejeitam qualquer intervenção militar que afete a soberania ou estabilidade do país, sem considerar a intervenção árabe como estrangeira".

Ativistas na Síria expressaram pessimismo no sábado sobre a possibilidade de que monitores da Liga Árabe que visitam o país possam interromper a repressão de Assad aos manifestantes, que dura mais de nove meses, e pediram aos Estados árabes que tomem medidas mais duras para parar com o derramamento de sangue.

AFP
Reprodução de vídeo mostra forças de segurança prendendo homem em Douma, subúrbio ao norte da capital da Síria, Damasco (29/12)
O acordo descreve um período de transição de um ano, que poderia ser renovado por uma vez se necessário. Nesse período, o país adotaria uma nova Constituição "que assegure um sistema parlamentar para um estado civil democrático e pluralístico e garanta a troca de poder por meio de eleições para um parlamento e para um presidente da república".

O documento diz que o acordo será apresentado a outros grupos de oposição em uma reunião no próximo mês. Moulhem Droubi, um dos principais integrantes do Conselho Nacional Sírio, confirmou à Reuters que o documento foi assinado na sexta-feira.

O documento diz que "o povo será a fonte de poder e a base da legalidade" e exige que o Estado seja baseado em uma separação dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Ele também diz que a liberdade religiosa será garantida pela nova Constituição e condena qualquer sinal de sectarismo ou "militarização do sectarismo". 

Repressão aos protestos

A repressão aos protestos em massa de sexta-feira na Síria terminou com 35 mortos em todo país , disse o Comitê de Coordenação Local da Síria, uma rede opositora que diz ter pessoas em vários localidades sírias, de acordo com a americana CNN e a britânica BBC. Mortes aconteceram na cidade de Idlib, Daraa, Hama, cidade de Homs, cidade de Tal Kalakh (Província de Homs, perto do Líbano), nos subúrbios da capital, Damasco, e em Abu Kamal. 

Violência: Repressão a protestos de sexta mata 35 na Síria, diz oposição

Saiba mais: Sírios protestam em massa contra Assad em meio a banho de sangue

Na quinta-feira, ao menos 26 foram mortos no país. Não é possível verificar de forma independente esses relatos, uma vez que o governo sírio expulsou a maior parte dos correspondentes estrangeiros do país

Nos maiores protestos na Síria em meses, centenas de milhares saíram às ruas na sexta-feira em desafio ao regime de Bashar al-Assad para mostrar à missão de observadores da Liga Árabe a força do movimento de oposição. Os manifestantes foram reprimidos com munição real e gás lacrimogêneo pelas forças de segurança.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), houve grandes protestos em Douma (subúrbio ao norte da capital do país, Damasco), Hama, Homs e nos arredores da cidade de Idlib, onde 250 mil saíram às ruas em 74 manifestações separadas. Em Douma, subúrbio de Damasco, os protestos reuniram entre 60 mil e 70 mil, de acordo com o OSDH.

Saiba mais: Observadores da Liga Árabe visitam mais cidades na Síria

Desde que começaram os protestos em meados de março, a ONU estima que mais de 5 mil morreram pela repressão do regime, que acusa grupos terroristas armados da responsabilidade pelas revoltas populares.

*Com Reuters, EFE, AFP e AP

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