Grupo islâmico quer manter agenda no Egito apesar de protestos

País tem transição marcada para junho, mas manifestantes querem que governo militar deixe o poder antes

Reuters |

A Irmandade Muçulmana, cujo partido liderou as primeiras etapas da eleição parlamentar do Egito, manifestou-se nesta quinta-feira contra a antecipação da eleição presidencial, alertando que alterações no calendário eleitoral causarão o caos. Durante cinco dias nesta semana houve confronto com policiais e soldados no centro do Cairo para exigir a antecipação da transição para um governo civil.

A junta militar que assumiu o poder no Egito após a deposição do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro, marcou o pleito presidencial para junho de 2012. Uma nova manifestação está marcada para sexta-feira, protestando também contra a violência das forças de segurança nos últimos dias.

A Irmandade Muçulmana, que passou décadas proibida e agora busca um lugar institucional na política egípcia, distanciou-se dos protestos dos últimos dias, que causaram 15 mortes.

A eleição para a Câmara dos Deputados acontece em várias etapas, entre novembro e janeiro, e até agora o Partido Liberdade e Justiça (PLJ), ligado à Irmandade, vem formando a maior bancada. Esta quinta-feira é dia de segundo turno nas votações distritais em algumas regiões do país. A eleição para o Senado só termina em março.

Essam el Erian, vice-líder do PLJ, disse que o partido apoia o cronograma militar que prevê a posse do próximo presidente em julho. "Acho que é melhor do que arranjar as coisas às pressas, porque isso pode criar caos", afirmou ele à Reuters.

Ele acrescentou que a escolha de um novo presidente antes que um novo Parlamento possa redigir uma Constituição poderá dar poderes demais ao Executivo. "Não vamos criar um novo Mubarak", afirmou.

Muitos ativistas acusam a Irmandade Muçulmana e outros grupos islâmicos de traírem a revolução que derrubou Mubarak, ao darem mais ênfase à preservação das suas posições na nova estrutura de poder.

Mas analistas dizem que a antecipação das eleições presidenciais não necessariamente iria eliminar o predomínio militar na política, porque todos os candidatos viáveis provavelmente manterão relações cordiais com os generais.

Uma fonte próxima ao Exército disse à Reuters que um mandato popular não será suficiente para garantir o apoio ao próximo presidente, porque ele também precisará de sustentação militar.

"Esse é um período de transição, em que uma parte entrega poder a outra. Um acordo precisa ser selado. Isso é política."

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