Grã-Bretanha interroga chanceler líbio que deixou regime Kadafi

Chancelaria diz que Koussa, cuja dissidência é vista como mostra de 'implosão' de regime líbio, não terá imunidade diplomática

BBC Brasil |

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O ministro das Relações Exteriores da Líbia foi interrogado por autoridades britânicas nesta quinta-feira. Moussa Koussa chegou ao Reino Unido de forma inesperada na noite anterior, anunciando que havia abandonado seu posto junto ao regime de Muamar Kadafi .

AP
O ex-chanceler líbio Moussa Koussa é visto em foto de 7 de março de 2011 em Trípoli
Segundo o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, Koussa - um dos principais homens do regime líbio - não receberá imunidade diplomática. Hague afirmou também que a dissidência no alto escalão do governo líbio mostra que o regime de Kadafi está "implodindo". O Ministério das Relações Exteriores britânico exortou outros integrantes do regime a abandonar Kadafi.

Koussa chegou a Londres na quarta-feira vindo da Tunísia, aparentemente a bordo de um avião militar britânico. A chancelaria britânica disse que ele "não queria mais" trabalhar para Kadafi. Um porta-voz do governo líbio, entretanto, negou que Koussa tenha abandonado o regime, dizendo que ele estava em uma missão diplomática.

Um porta-voz da chancelaria britânica disse que Koussa, que tem 60 anos, chegou ao aeroporto de Farnborough, a oeste de Londres, na noite de quarta-feira. "Ele nos disse que estava abandonando seu cargo. Moussa Koussa é um dos representantes de mais alto escalão do governo de Kadafi e seu papel era representar o regime internacionalmente, algo que ele não está mais disposto a fazer."

Segundo o especialista da BBC em assuntos diplomáticos Humphrey Hawkseley, agentes da inteligência britânica disseram esperar que o profundo conhecimento que Koussa tem do regime líbio ajude a minar o governo Kadafi.

A chegada do chanceler da Líbia ocorre num momento em que a Grã-Bretanha se prepara para expulsar cinco diplomatas líbios. William Hague disse a parlamentares que os cinco poderiam ameaçar a segurança da Grã-Bretanha.

Recuo

Na quarta-feira, forças contrárias a Kadafi voltaram a perder terreno e abandonaram antigos redutos na costa oriental da líbia. Um correspondente da BBC em Brega diz que as forças de Kadafi estão em vantagem e os rebeldes ali parecem ter perdido a força de vontade para lutar, ainda que planejem voltar à cidade.

Relatos dão conta de intensos ataques das forças de Kadafi na cidade de Misrata, na costa oeste, e de combates entre Ras Lanuf e Bin Jawad. A rádio Voz da Líbia Livre, controlada pelos rebeldes, diz que o recuo de Ras Lanuf e Bin Jawad foi uma ação "tática" por causa da ausência de ajuda aérea.

A rádio também admitiu ter errado ao anunciar que Sirte, cidade natal de Kadafi, havia sido tomada pelos rebeldes. No leste, em Ajdabiya, o correspondente da BBC Ben Brown relata que "os rebeldes não têm o poder de fogo para enfrentar as tropas de Kadafi, que parecem mais resilientes".

'Tropas enfraquecidas'

O recuo rebelde começou na terça-feira e se seguiu a um breve período de vitórias dos opositores, com o auxílio dos bombardeios da coalizão internacional que tem atacado as tropas pró-Kadafi. Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que as forças do líder líbio haviam sido bastante enfraquecidas pelos ataques.

Os países-membros da coalizão estão analisando a possibilidade de armar os rebeldes . Os Estados Unidos e a França dizem que estão mandando enviados ao bastião rebelde de Benghazi para fazer contato com a administração interina local.

O analista de assuntos diplomáticos da BBC Jonathan Marcus diz que, se os reveses dos rebeldes prosseguirem, deve crescer a pressão para armar os rebeldes. Mas ele ressalta que os efeitos adversos de fornecer armas a opositores já foram vistos em países como Bósnia e Afeganistão e devem servir de alerta para as forças estrangeiras.

A reunião internacional sobre a Líbia, realizada em Londres na terça-feira, foi concluída com a decisão de montar um grupo - que inclua governos árabes - para coordenar a eventual ajuda à Líbia caso Kadafi deixe o poder. Estima-se que as seis semanas de confrontos no país já tenham deixado milhares de mortos.

Na quarta-feira, a agência estatal líbia Jana disse que as forças estrangeiras bombardearam alvos civis na cidade de Surman (a oeste de Trípoli, a capital), sem informar o número de mortos. A informação não foi confirmada.

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