Suíça congelou cerca de US$ 1 bilhão (R$ 1,57 bilhão) em bens pertencentes a líder líbio, Hosni Mubarak e Ben Ali

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta terça-feira que o líder líbio, Muamar Kadafi, deve deixar o poder. A declaração representa uma mudança na posição do governo turco em relação ao conflito entre as forças fiéis a Khadafi e insurgentes no pais norte-africano.

"Muamar Kadafi infelizmente preferiu o derramamento de sangue, a repressão, as lágrimas e o ataque contra seu povo em vez de ouvir os nossos conselhos", disse Erdogan em um discurso. "Neste ponto, a melhor coisa a fazer é ele renunciar e deixar o país imediatamente", afirmou o premiê. "A Líbia não é propriedade privada da família de alguém, ela pertence a todos os líbios."

Rebeldes líbios se reúnem com diferentes representantes tribais em Benghazi, reduto opositor da Líbia
AFP
Rebeldes líbios se reúnem com diferentes representantes tribais em Benghazi, reduto opositor da Líbia
Erdogan afirmou que o seu país se unirá, na próxima quinta-feira, ao Grupo Internacional de Contato, formado pelos Estados Unidos, países europeus e do Oriente Médio, além de organizações internacionais, para intermediar a crise na Líbia.

A mudança de posição turca é um golpe para Kadafi, já que Ancara, embora não apoiasse o regime líbio, mostrava-se favorável à reconciliação nacional e se prontificou a mediar negociações entre as partes. O governo turco também havia expressado suas reservas a possíveis bombardeios de países ocidentais na Líbia, antes da aprovação da zona de exclusão aérea na Líbia pelo Conselho de Segurança da ONU.

Fraser afirma que a embaixada turca em Trípoli - um importante canal diplomático, que foi mantido aberto durante os dois meses do conflito - será fechada.

Protestos

A tentativa de Ancara de buscar o equilíbrio na Líbia causou protestos contra a Turquia em Benghazi, principal cidade sob controle dos rebeldes líbios.

Os rebeldes líbios, que controlam o leste do país, dizem esperar que as potências estrangeiras emprestem a eles entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões (entre R$ 3,1 bilhões e R$ 4,7 bilhões), para pagar por comida, remédios e salários. Os insurgentes afirmam ter dinheiro suficiente para se manter por apenas mais um mês.

No fim desta semana, a Itália sediará uma reunião do Grupo Internacional de Contato, que discutirá maneiras de aumentar a venda de petróleo dos rebeldes. A oposição líbia diz estar gastando entre US$ 40 milhões e US$ 90 milhões (entre R$ 63 milhões e R$ 142 milhões) por dia para manter o leste do país sob seu controle.

Uma pequena quantidade de petróleo produzido em áreas controladas pelos rebeldes está sendo vendido. No entanto, a produção está bem abaixo dos 1,5 milhões de barris por dia registrados antes dos conflitos.

Ben congelados

A Suíça disse ter congelado cerca de US$ 1 bilhão em bens pertencentes de líderes como o Kadafi, além do presidentes depostos do Egito, Hosni Mubarak, e da Tunísia, Ben Ali.

A ministra das Relações Exteriores da Suíça, Micheline Calmy-Rey, disse que as autoridades do país disseram ter descoberto um total de 830 milhões de francos - o equivalente a US$ 960 milhões - em bens pertencentes aos três líderes árabes.

A maior parte dessa cifra, um total de 410 milhões de francos suíços, pertenceria a Mubarak e seu círculo íntimo, afirmou a ministra. Mas um total de 360 milhões de francos suíços pertenceria a Kadafi e figuras do alto escalão de seu regime. Um montante de 60 milhões de francos seria pertencente ao líder deposto da Tunísia, Zine al-Abidine Ben.

A ministra Calmy-Rey revelou essas quantias durante uma conferência na Tunísia, onde ela está realizando uma visita de três dias.

Segundo a titular da Chancelaria suíça, ''essas quantias estão congeladas na Suíça por ordem do governo suíço, já que se referem a posses potencialmente ilegais mantidas no país''. ''Não se trata apenas de dinheiro, estes são bens ligados a propriedades'', afirmou a ministra.

A Suíça inicalmente ordenou que os bens de Ben Ali e Mubarak fossem congelados após eles terem sido derrubados em insurreições populares em janeiro e em fevereiro. Os bens de Kadafi foram bloqueados em fevereiro, após ele ter ordenado a repressão com violência de protestos por parte da oposição.

Os novos governos do Egito e da Tunísia contactaram a Suíça a fim de reaver essas quantias. Mas nenhum dos dois países ofereceu provas de que o dinheiro havia sido obtido ilegalmente, de modo que a Suíça pudesse liberá-lo.

Não houve quaisquer discussões com a Líbia, onde Kadafi permanece no comando do país, em meio a uma grande rebelião popular e com rebeldes tendo assumido o controle de uma vasta região no leste da Líbia.

*Com BBC

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.