Governo suspende estado de emergência na Síria, diz agência

Anúncio é feito horas depois de ministério chamar onda de manifestações de 'insurreição armada' e de novos confrontos em Homs

iG São Paulo |

A agência de notícias oficial da Síria informou nesta terça-feira que o Conselho de Ministros suspendeu o estado de emergência vigente há quase 50 anos no país. Segundo a agência, o governo também aboliu a Corte de Segurança do Estado, que julgava prisioneiros políticos, e aprovou uma lei que permite a realização de protestos pacíficos.

O fim do estado de emergência era uma das principais exigências dos manifestantes que há um mês fazem protestos contra o governo em diversas cidades. Não está claro, porém, se o anúncio vai ser suficiente para conter a onda de manifestações.

Horas antes, o Ministério do Interior sírio emitiu um comunicado dizendo que novos protestos não serão tolerados. "O curso de eventos anteriores (...) revelou que eles são parte de uma insurreição orquestrada por grupos armados pertencentes a organizações salafistas, especialmente em Homs e Banias".

Também nesta terça-feira, a cidade de Homs foi palco de novos confrontos . Forças de segurança abriram fogo nesta terça-feira para dispersar uma manifestação na Praça do Relógio, a principal de Homs, onde milhares estavam acampados desde segunda-feira.

AP
Imagem de celular feita por manifestante e divulgada pela agência AP mostra manifestação em Homs (18/04)

Os manifestantes estocaram comida e suprimentos, ergueram postos de checagem em torno da praça para, segundo eles, impedir a entrada de pessoas armadas no local. Um dos manifestantes disse que a praça tinha sido rebatizada Tahrir, nome da praça que foi o epicentro dos protestos no Cairo que derrubaram o presidente egípcio Hosni Mubarak.

Durante a madrugada desta terça-feira, as forças de segurança entraram na praça e atiraram contra os manifestantes. Ainda não está claro se a repressão ao protesto deixou vítimas.

Os protestos contra o governo sírio se intensificaram em Homs depois que as autoridades entregaram o corpo do líder tribal Abu Moussa, no sábado. Ele teria sido morto enquanto estava preso.

Walid Saffour, presidente do Comitê dos Direitos Humanos da Síria, organização baseada em Londres, disse à BBC que acredita que Abu Moussa tenha sido torturado.

"A barba dele estava queimada e ele morreu sob tortura em uma das agências de segurança de Homs, provavelmente em uma agência de segurança militar", disse.

Segundo o ativista, depois que o corpo de Abu Moussa foi levado para o sepultamento no cemitério da cidade, "muitas pessoas foram para as ruas de Homs, gritando e pedindo por liberdade e até por uma mudança no sistema".

Saffour afirma que o governo deve ser responsabilizado pelas mortes dos cidadãos sírios. "É um genocídio e um massacre contra a humanidade", disse.

Com BBC e AP

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