Governo líbio anuncia trégua, mas combates prosseguem em Misrata

Cidade portuária vem sendo fortemente atacada pelas forças do regime do coronel Muamar Kadafi há semanas

iG São Paulo |

AFP
Rebelde líbio ferido recebe tratamento médico no hospital Al-Hikma, na cidade sitiada de Misrata (23/04)

Explosões e tiros de metralhadora foram ouvidos neste domingo na cidade líbia de Misrata, apesar de alegações por parte do governo de que o Exército teria suspendido suas operações no local, que está sob o controle de insurgentes.

Principal base dos rebeldes no oeste da Líbia, a cidade portuária de Misrata vem sendo fortemente atacada pelas forças do regime do coronel Muamar Kadafi há semanas.

Agências de ajuda voluntária afirmam que a cidade enfrenta uma crise humanitária. Grupos de direitos humanos estimam que mais de mil pessoas já tenham morrido nos combates.

O vice-chanceler líbio, Khaled Kaim, afirmou que as tropas do governo não se retiraram da cidade, e sim suspenderam suas operações na região para dar aos líderes tribais locais a chance de negociar com os rebeldes. Mesmo assim, testemunhas relatam que tiros e explosões de foguetes podem ser ouvidos a todo momento na cidade. 

O coronel Ahmed Bani, porta-voz militar dos insurgentes na cidade de Benghazi, disse no sábado que Kadafi está "jogando". "Ele não é estúpido e não vai permitir que as suas forças deixem Misrata", disse.

Ataque de avião não-tripulado

No sábado, os Estados Unidos realizaram seu primeiro ataque com avião não-tripulado na Líbia. O porta-voz do Pentágono, capitão Darryn James, não deu detalhes sobre o alvo, mas afirmou que operação ocorreu no início da tarde (horário local).

Aviões não-tripulados já são usados pelos Estados Unidos na fronteira do Afeganistão com o Paquistão. Na quinta-feira, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, anunciou que as aeronaves também seriam usadas na Líbia, por causa da "situação humanitária" no país.

Segundo Gates, os aviões Predator, armados com mísseis, teriam condições de atingir alvos militares do regime líbio de forma mais eficaz. Isso daria maior "precisão" às ações americanas. Os EUA participam dos esforços coordenados pela Organização do Tratado do Atlêntico Norte (Otan) em apoio aos rebeldes que lutam contra o regime do líder líbio, Muamar Kadafi.

A ação militar na Líbia foi autorizada no mês passado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, com o objetivo de proteger os civis de ataques das forças leais a Kadafi. Os rebeldes controlam parte do leste do país, mas as forças de Kadafi dominam boa parte do oeste e a capital, Trípoli.

Com BBC

    Leia tudo sobre: líbiamundo árabekadafizona de exclusão aérea

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG