Governo dos EUA anuncia retorno de embaixador à Síria

Ford tinha deixado Damasco por questões de segurança; segundo ativistas, até 50 foram mortos em Homs nas últimas 24 horas

iG São Paulo |

Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira que seu embaixador voltará a Damasco após seis semanas em Washington. Robert Ford deixou a capital da Síria em outubro após os EUA acusarem o governo do presidente Bashar al-Assad de promover uma “ campanha de intimidação ” contra ele.

Horas depois do anúncio de que Ford voltará ao país, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, participou de uma reunião em Genebra com sete ativistas que integram o Conselho Nacional Sírio, um grupo de oposição ao regime do presidente Bashar al-Assad.

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AP
Hillary Clinton participa de reunião com opositores sírios em Genebra, na Suíça

Foi o governo americano quem convocou a reunião com os ativistas, todos exilados na Europa, num gesto que demonstra sua disposição para trabalhar mais de perto com grupos que possam assumir papéis de liderança na Síria. “A transição democrática vai além de tirar Assad do poder”, afirmou Hillary. “Também significa colocar o país no caminho do respeito à lei.”

De acordo com o governo americano, Ford voltará ao país porque sua presença é importante para fazer avançar os interesses dos Estados Unidos servindo como testemunha da crise e reunindo-se com líderes da oposição.

“Ele continuará fazendo o mesmo trabalho, ou seja, entregando a mensagem dos EUA para o povo da Síria, oferecendo informações importantes sobre a situação no país e se engajando na sociedade síria para saber como acabar com o derramamento de sangue e alcançar uma transição política pacífica”, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner.

Franco crítico da repressão de Assad contra o levante contrário a seu governo, Ford é o primeiro embaixador americano na Síria desde 2005. Na época, o governo de George W. Bush (2001-2009) decidiu retirar seu principal diplomata do país por acusações de que a Síria estava envolvida no assassinato do ex-premiê do Líbano, Rafik Hariri – o que Damasco nega.

Em janeiro de 2001 o governo do presidente Barack Obama decidiu enviar Ford à Síria numa tentativa de persuadir o país a mudar suas políticas relativas a Israel, Líbano, Iraque e a seu apoio a grupos extremistas. O Departamento de Estado americano classifica a Síria com um Estado que ‘patrocina o terrorismo”.

Em setembro, partidários de Assad jogaram ovos e tomates contra Ford quando ele entrava em seu escritório para manter uma reunião com um importante membro da oposição. Depois de atingi-lo, os governistas tentaram invadir o escritório na capital do país, Damasco, de acordo com um ativista contrário ao regime.

Violência em Homs

Ativistas disseram que dezenas de corpos estão nas ruas da cidade de Homs, onde confrontos teriam deixado até 50 mortos em 24 horas, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que tem sede em Londres.

O ativista Mohammed Saleh, que moram em Homs, afirmou que pelo menos 34 corpos foram jogados nas ruas. As vítimas seriam moradores seqüestrados e mortos na segunda-feira. “A escala de violência é insana”, afirmou Saleh. “Sequestros e mortes acontecem de um jeito maluco. As pessoas estão com medo de deixar suas casas.”

Também na terça-feira, a Síria disse ter impedido 32 “terroristas armados” de entrar no país após um tiroteio na fronteira com a Turquia. A agência de notícias estatal afirmou que muitos dos homens armados foram feridos e que o grupo fugiu de volta para o território turco.

Porta-aviões russo

Nesta terça-feira, o porta-aviões russo Almirante Kuznetsov deixou a base naval de Severomorsk, no Mar de Barents, com destino ao Mar Mediterrâneo, numa viagem que inclui uma escala na Síria.

"Com a saída do porta-aviões começa a formação da esquadra que será integrada, além da embarcação Kuznetsov, pelo navio de guerra Almirante Chabanenko e outros navios de abastecimento", afirmou o porta-voz da Frota do Norte russa, capitão Vadim Serga.

O porta-aviões vai passar por diversos portos, entre eles a base naval russa de Tartus, na Síria, e fará manobras militares no Mar Mediterrâneo. Segundo a Rússia, a missão e a escala no porto sírio estavam previstas muito antes da Primavera Árabe, e por isso não foram canceladas.

"A escala em nossa base no porto sírio de Tartus é técnica, necessária para o abastecimento de combustível, água e alimentos. A bordo dos navios só haverá armamento e pessoal regulamentados. Não está previsto o desembarque de militares ou atividades com os marinheiros sírios", destacou o Ministério da Defesa.

Após a escala na Síria, a esquadra voltará ao porto da Frota do Norte russa, o que "está previsto para os primeiros dias de fevereiro", de acordo com o oficial. "O objetivo da missão é garantir a presença militar em áreas importantes das águas internacionais. Daremos atenção especial ao desenvolvimento de medidas que garantam a segurança da navegação marítima e outras atividades econômicas navais da Federação Russa", afirmou Serga.

O porto sírio de Tartus, que abrigou uma base soviética na Guerra Fria, é atualmente um centro de manutenção e abastecimento para a Frota russa do Mar Negro. Atualmente, a base abriga cerca de 600 militares e técnicos do Ministério da Defesa russo e está sendo preparada para receber cruzeiros e porta-aviões.

Com AP e EFE

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