Governo do Kuwait renuncia para formação de novo gabinete

Premiê e ministros deixam o cargo para abrir caminho a novo Executivo, após as eleições parlamentares de quinta-feira

iG São Paulo |

O emir do Kuwait, xeque Sabah al-Ahmad al-Jaber al-Sabah, aceitou neste domingo a renúncia do primeiro-ministro do país, xeque Jaber al-Mubarak al-Hamad al-Sabah, e dos membros de seu governo, com o objetivo de abrir caminho para a formação de um novo Executivo após as eleições parlamentares de quinta-feira.

Segundo um comunicado da agência de notícias oficial kuwaitiana, a Kuna, o decreto do emir determina que o primeiro-ministro e os demais membros do governo permaneçam nos respectivos cargos de forma interina até a formação de um novo gabinete.

Isso deve acontecer antes da primeira sessão do novo Parlamento, que geralmente é realizada duas semanas após a votação.

A agência informou que, em reunião com o emir neste domingo, o primeiro-ministro destacou a "transparência" que marcou as eleições parlamentares do último dia 2. Ele enfatizou ainda "o esforço e a atenção que os membros do governo exerceram em um momento tão crítico na história do país”.

Grupos de oposição saíram fortalecidos das eleições do Kuwait, conquistando 34 das 50 cadeiras disputadas, segundo resultados oficiais divulgados na sexta-feira. A votação deixou o Parlamento do país, que antes tinha quatro mulheres, sem nenhuma representante feminina.

De acordo com autoridades, 14 assentos foram para candidatos islâmicos ligado à Irmandade Muçulmana do Egito, 20 para os que defendem a obediência tribal, nove para candidatos liberais e sete para sunitas que costumam apoiar a família que governa o Kuwait. O Parlamento anterior, dissolvido em dezembro pelo emir, era dividido quase igualmente entre governo e oposição.

Embora a família que governa o Kuwait tenha a última palavra em todos os assuntos importantes, o Parlamento do país tem mais poder do que qualquer outra instituição eleita no Golfo e os parlamentares da oposição podem criticar abertamente o governo.

O resultado da eleição mostra a crescente pressão contra a família que governa o Kuwait após meses de crise política que incluíram um escândalo de corrupção envolvendo várias autoridades. No ano passado o governo também enfrentou protestos inspirados nas revoltas populares de outros países árabes , como Egito e Tunísia.

A eleição desse ano teve a participação de 62% dos eleitores, um crescimento de quatro pontos percentuais em relação à votação anterior. Mais de 400 mil estavam aptos a votar em 543 centros eleitorais e escolher entre 280 candidatos - sendo 23 mulheres.

De acordo com observadores árabes, a votação ocorreu de forma tranquila, sem incidentes graves. Um forte esquema de segurança foi montado nos colégios eleitorais – que são específicos para homens ou mulheres -, mas o governo não informou o número de agente mobilizados.

Com AP e EFE

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