Governo do Kuwait apresenta renúncia, diz oposição parlamentar

Medida, ainda não confirmada oficialmente, teria objetivo de pôr fim à crescente crise política relacionada a denúncias de corrupção

iG São Paulo |

AP
Pelo 3º dia consecutivo, cidadãos do Kuwait se reúnem do lado de fora do Palácio da Justiça, na Cidade do Kuwait, para mostrar solidariedade aos ativistas da oposição
Parlamentares da oposição disseram que o governo do Kuwait apresentou nesta segunda-feira sua renúncia ao emir que governa o país em meio a uma crescente crise política. A decisão teria o objetivo de pôr fim aos protestos populares e às exigências de deputados oposicionistas que pedem a demissão do primeiro-ministro, xeque Nasser al-Mohammad al-Sabah, acusado de corrupção.

Saiba mais: Escândalo de corrupção no Parlamento abala o Kuwait

De acordo com o site Kuwait News, a renúncia do Executivo teria sido apresentada após uma reunião emergencial do Conselho de Ministros, presidida pelo chefe de Estado, na qual o emir tentaria conter a crise política entre o Legislativo e Executivo que levou à renúncia de três ministros.

Por enquanto, a agência de notícias oficial Kuna não confirmou a informação. Além disso, depois de se reunir com o emir, o presidente do Parlamento disse à imprensa que não estava a par de nenhuma decisão sobre a renúncia do governo, medida que, se aceita pelo emir, poderia causar a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições.

O parlamentar opositor Khaled al-Sultan disse que o gabinete apresentou sua renúncia horas antes do início de um grande protesto convocado para esta segunda-feira, que é significativo por contar pela primeira vez com o apoio dos líderes das principais tribos.

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O jornal Al-Watan informou que três ministros - da Justiça, Saúde e Desenvolvimento - renunciaram por estar descontentes com a atuação do governo. Nenhuma fonte oficial foi localizada para se manifestar. O país produtor de petróleo registra crescentes protestos pela renúncia do primeiro-ministro por causa das acusações de corrupção.

Em 17 de novembro, vários manifestantes foram detidos ao invadir o Parlamento depois que a polícia empregou a força para dissolver uma passeata que pedia a renúncia do premiê. O primeiro-ministro será ouvido na terça-feira pelo Parlamento. O emir, que tem a palavra final sobre a política no país, disse que a invasão marcou um "dia negro" para o Kuwait, e determinou às forças de segurança que tomem "todas as medidas necessárias" para manter a ordem.

Em outubro, os protestos motivaram a renúncia do ministro de Relações Exteriores Mohammed Salem Al-Sabah, ligado a uma suposta trama de corrupção na qual membros do Executivo teriam pago subornos a parlamentares para "ganhar sua lealdade".

*Com EFE, Reuters e AP

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