Governo do Bahrein decreta estado de emergência no país

Milhares marcham em direção à Embaixada da Arábia Saudita em Manama para protestar contra presença de tropas no país

iG São Paulo |

O governo do Bahrein declarou nesta terça-feira estado de emergência no país, na tentativa de conter os protestos antigoverno que ocorrem há mais de um mês. Segundo a agência de notícias oficial do Bahrein, a medida ficará em vigor durante três meses.

"Devido às atuais circunstâncias no Bahrein (...), o rei Hamad anunciou estado de emergência nacional a partir desta terça-feira por três meses", indicou a televisão estatal.

Reuters
Veículos do Exército passam por ponte em Manama, capital do Bahrein

Também nesta terça-feira, milhares de manifestantes marcharam em direção à Embaixada da Arábia Saudita em Manama para protestar contra a presença de tropas no país no Bahrein. Na segunda-feira, cerca de mil soldados de cinco países do Golfo Pérsico chegaram ao Bahrein a pedido do governo do país. Além de Arábia Saudita, foram enviados soldados de Kuwait, Omã, Catar e Emirados Árabes Unidos.

Acredita-se que eles vão ser incumbidos de guardar instalações ligadas ao setor petrolífero e financeiro. A oposição do país afirmou que a presença de soldados estrangeiros corresponde a uma "ocupação". Na segunda-feira, manifestantes xiitas continuam na Praça Pérola, na capital Manama, nas proximidades do coração financeiro da cidade.

No domingo, ocorreram os protestos mais violentos desde o mês passado, quando sete manifestantes foram mortos em choques com forças de segurança.

Dezenas ficaram feridos quando manifestantes enfrentaram a polícia e destruíram barricadas.

Os protestos no país são liderados pela maioria xiita, correspondente a 70% da população, que pede mais participação política. Muçulmanos sunitas detêm o poder no Bahrein há dois séculos.

Analistas dizem que outros regimes sunitas no Golfo Pérsico, especialmente na Arábia Saudita, temem que uma ruptura social no vizinho Bahrein, causada por protestos similares aos que derrubaram governos na Tunísia e Egito, leve a mais protestos na região, rica em petróleo.

Irã

O ministério das Relações Exteriores do Bahrein rejeitou as críticas iranianas ao envio de soldados estrangeiros ao Bahrein, acusando o Irã de "ingerência descarada" em assuntos internos do país. O embaixador do país em Teerã foi convocado para consultas.

O porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast, afirmou que a presença de forças estrangeiras no Bahrei é "inaceitável".

"Não achamos que seja justo que as forças de outros países, especialmente dos países do Golfo Pérsico, estejam presentes ou intervenham", disse o porta-voc. "O povo do Bahrein tem aspirações legítimas que foram expressas pacificamente. É preciso evitar que estas aspirações legítimas sejam respondidas com violência."

Com EFE e BBC

    Leia tudo sobre: bahreinprotestosmundo árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG