Governo da Síria diz que 'terroristas' atacaram gasoduto

Oposição diz que Assad fabrica ataques para despertar medo de terrorismo e extremismo religioso na população

iG São Paulo |

Um gasoduto explodiu nesta terça-feira em Rastan, na Síria, de acordo com a agência estatal de notícias. O governo culpou “terroristas armados” pelo ataque na cidade, que está localizada na província de Homs, um dos principais redutos da oposição.

Grupos opositores acusaram o governo de fabricar ataques para provocar temor em relação ao extremismo religioso, fazendo parecer que apenas o presidente Bashar Al-Assad pode conter a ameaça do terrorismo.

Reuters
Imagem de celular diz mostrar protesto contra Assad em Idlib, na Síria (02/02)

Várias explosões de gasodutos aconteceram na Síria desde que os protestos contra o governo de Assad começaram, em março. De acordo com a agência Sana, o ataque desta terça-feira interrompeu o suprimento para duas usinas de energia.

Com isso, será necessária uma redução de 400 megawatt/hora na rede de eletricidade e o aumento em uma hora nos cortes diários de energia.

A notícia da explosão é divulgada no momento em que uma missão de observadores da Liga Árabe visita a Síria para verificar a implementação de um plano de paz.

Na terça-feira, o grupo afirmou que tiroteios continuam acontecendo , mas defendeu a missão dizendo que tanques foram retirados das ruas e presos foram libertados.

A oposição síria, porém, criticou duramente o trabalho dos observadores.

“A Liga Árabe caiu nas típicas armadilhas do regime, movimentando-se no país apenas com total conhecimento do governo”, segundo os Comitês Locais de Coordenação, que que reúnem vários grupos de ativistas. “Os observadores não trabalham ou se deslocam de forma independente e neutra.” De acordo com os Comitês afirmou que 20 moradores foram mortos pelas forças de segurança na segunda-feira nas províncias de Homs e Idlib.

Sarkozy

Nesta terça-feira, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que Assad comete “um massacre” que causa “repugnância e indignação em todo o mundo”.

"A comunidade internacional deve assumir suas responsabilidades denunciando uma repressão cruel e assegurando que os observadores da Liga Árabe tenham todos os meios e a liberdade de fazer corretamente seu trabalho", disse o líder.

Em um discurso aos graduados da Escola Naval de Lanvéoc-Poulmic, Sarkozy acrescentou que a comunidade internacional também "deve assumir suas responsabilidades e adotar sanções mais duras contra a Síria para assegurar o acesso humanitário".

A ONU diz que a repressão aos protestos contra o governo já deixaram mais de 5 mil mortos desde março, a maioria civis. De acordo com os Comitês, o número é maior: 5.862 mortos .

Desertores

Segundo um grupo ativista, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, afirmou que soldados desertores foram atacados por uma delegacia perto da cidade de Jassem, ao sul do país. Em resposta, eles devolveram os tiros, deixando ao menos 18 mortos.

Os ministros da Liga Árabe se encontrarão no sábado para discutir um relatório preliminar de seus observadores da Síria. O encontro de emergência deve decidir se a missão continua, uma vez que a repressão na Síria contra manifestantes não dá sinais de redução.

Com AP, AFP e Reuters
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