Governo britânico convoca embaixador sírio por intimidação na Grã-Bretanha

Manifestantes receberiam telefonemas e visitas domiciliares, enquanto famílias na Síria seriam contatadas pela polícia secreta

iG São Paulo |

O Ministério de Relações Exteriores britânico anunciou ter convocado o embaixador da Síria no país, Sami Khiyami, em meio a relatos de que um diplomata em sua embaixada estava intimidando manifestantes sírios na Grã-Bretanha.

De acordo com o ministério, o diretor de Oriente Médio do órgão, Christian Turner, expôs nesta terça-feira grandes preocupações a Khiyami sobre as informações. Turner disse que a intimidação, se verdadeira, corresponderia a uma "desrespeito claro a um comportamento aceitável".

Na semana passada, o ministério disse estar ciente de alegações de que a embaixada síria tinha fotografias de manifestantes envolvidos em protestos contrários ao regime de Damasco realizadas na Grã-Bretanha. Segundo os relatos, a polícia secreta visitou os parentes das famílias na Síria com cópias das imagens, advertindo que agissem para que os manifestantes parassem com as marchas.

Também há informações de que os manifestantes na Grã-Bretanha receberam telefonemas e visitas domiciliares.

Protestos de madrugada

Militantes pró-democracia organizaram várias manifestações na madrugada desta terça-feira na Síria para pedir a queda do presidente Bashar Al-Assad, informou o chefe do Observatório sírio dos direitos humanos, Abdel Rahman.

"Milhares de manifestantes desfilaram em Homs (centro), entre 7 mil e 10 mil pessoas protestaram em Hama (norte), entre 5 mil e 7 mil em Deir Ezzor (noroeste) e eram mais de 2 mil em Idleb (noroeste)", afirmou o militante. Os manifestantes também desfilaram nas cidades litorâneas de Jable e de Latakia, assim como nos bairros de Qabum e Barzé, na capital. "Todos rejeitam qualquer diálogo com o poder", afirmou.

Abdel-Rahman também falou de prisões de manifestantes pelas forças de segurança em Rukn Edin e Barze, em Damasco, em Idleb, assim como no povoado de Al-Najia, fronteira com a Turquia.

Dissidentes sírios pediram na segunda-feira por democracia e pelo fim pacífico do regime de Assad em um encontro em que participaram mais de 100 pessoas, incluindo ex-presos políticos.

AP
Soldados turcos observam fronteira entre Turquia e Síria. Repressão do regime de Damasco forçou milhares a atravessar divisa entre os dois países
As autoridades sírias, paralelamente, convidaram a oposição para uma reunião em 10 de julho para discutir mudanças-chave na Constituição e para conter a onda de protestos que causam confrontos entre manifestantes e as forças de segurança desde meados de março.

Líderes da oposição, todos independentes de partidos, reuniram-se em um hotel em Damasco para discutir uma maneira de sair da crise em um evento público que, segundo eles, é sem precedentes em cinco décadas de regime do partido governista Baath.

Anwar Bunni, um proeminente advogado que ficou preso por cinco anos, disse que essa foi a primeira vez que "um encontro desse tipo em um lugar público foi anunciado com antecedência". O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com sede em Londres, informou que 1.342 civis morreram desde o início dos protestos, além de 342 oficiais das forças de segurança.

*Com BBC, AFP e EFE

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