General nega que Mubarak tenha ordenado ataques a manifestantes

Testemunho do líder do conselho militar do Egito pode favorecer ex-líder; durante levante, 850 manifestantes foram mortos

iG São Paulo |

Reuters
Field Marshal Mohamed Hussein Tantawi foi ministro da Defesa de Mubarak durante 20 anos
O ex-presidente do Egito Hosni Mubarak não ordenou que o Exército atirasse contra os manifestantes durante o levante que o derrubou do poder, disse o principal general do país.

Field Marshal Mohamed Hussein Tantawi, ministro da Defesa de Mubarak durante 20 anos e agora líder do Conselho Militar, testemunhou no mês passado o julgamento do ex-presidente a portas fechadas. "Não fomos pedidos para disparar contra os manifestantes e nós nunca vamos usar o fogo", disse Tantawi, citado pela oficial Agência de Notícias do Oriente Médio.

Os comentários de Tantawi são a primeira indicação do que ele pode ter dito em seu testemunho, o qual, segundo alguns advogados, favoreceu Mubarak. Os advogados de defesa dizem que qualquer depoimento de Tantawi sobre o papel de Mubarak na tentativa de reprimir o levante de 18 dias, no qual cerca de 850 manifestantes foram mortos, poderia decidir o seu destino.

"Meu testemunho no caso do assassinato de manifestantes foi um testemunho da verdade de um homem honesto, que foi um combatente por 40 anos a serviço de Deus e do Egito", disse Tantawi na abertura de uma fábrica na província de Fayyoum.

Apesar do blackout da mídia, os comentários de Tantawi têm circulado na internet e advogados de defesa têm dado a sua avaliação, embora não tenham quebrado a ordem de silêncio, guardando os detalhes. Os manifestantes ficaram cada vez mais frustrados com o Exército, que foi chamado às ruas quando a polícia perdeu o controle, em 28 de janeiro.

Eles dizem que isso tem protegido o ex-comandante e que o uso de leis de emergência será revertido para as mesmas táticas usadas por Mubarak para sufocar a dissidência.

O exército refutou as críticas e tem respondido às demandas de alterar a lei eleitoral , depois de os partidos políticos ameaçarem um boicote e dizerem que a versão original permitia que partidários de Mubarak voltassem ao Parlamento. "Vamos levar o Egito rumo à estabilidade, se Deus quiser", disse.

No sábado, o Conselho militar do Egito disse que iria considerar o fim dos julgamentos militares para civis e estabelecer um cronograma mais claro para a transição para um governo civil.

A eleição parlamentar deve começar em 28 de novembro. O Conselho disse que a câmara baixa do Parlamento iria iniciar seus trabalhos na segunda metade de janeiro, segundo a MENA.

Os Estados Unidos também estão pressionando o governo provisório, dizendo que esperam uma revogação mais rápida das leis de emergência usadas por Mubarak para reprimir dissidentes.

Com Reuters

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