Gabinete sírio renuncia enquanto milhares apoiam governo nas ruas

Partidários atendem a pedido do regime de Bashar al-Assad que enfrenta onda de protestos violentos há mais de uma semana

iG São Paulo |

AP
Milhares participam de manifestação a favor de Al-Assad em Damasco, na Síria

Dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas das principais cidades da Síria nesta terça-feira para demonstrar apoio ao presidente Bashar al-Assad, que enfrenta uma onda de protestos violentos há mais de uma semana. Como forma de conter a insatisfação popular, também nesta terça o gabinete sírio apresentou sua renúncia, que foi aceita pelo líder.

Nas próximas horas, é esperado um discurso de Al-Assad em rede nacional, seu primeiro pronunciamento desde o início da onda de protestos. Ele deve anunciar a suspensão do estado de emergência, que já dura 50 anos no país, além do fim de outras restrições às liberdades civis e políticas.

Enquanto esperam o pronunciamento, partidários do líder lotam as ruas em resposta a um pedido do governo feito na segunda-feira. Imagens transmitidas pela TV estatal síria mostram multidões reunidas na capital, Damasco, e também em cidades como Aleppo, Hasaka, Homs e Hama. Os manifestantes gritavam frases como "Apenas Deus, Síria e Bashar", ou então "Vamos sacrificar nossas vidas e sangue por você, Bashar".

De acordo com grupos de defesa dos direitos humanos as quase duas semanas de protesto contra o regime de Assad já deixaram mais de 60 mortos. Fontes ligadas à oposição dizem que o número de mortos é ainda maior e passa de cem.

Os protestos são a maior ameaça a Assad, de 45 anos, que sucedeu seu pai, Hafez, depois de sua morte em 2000. A tensão continua em muitas cidades, principalmente em Deraa e Latakia.

A crise começou na sexta-feira passada (18), quando moradores de Deraa protestaram contra a detenção de 15 crianças por terem escrito frases contra o governo em um muro. Na quarta-feira (23), violentos confrontos aconteceram depois que as forças de segurança ameaçaram invadir uma mesquita. A justificativa era a de que a mesquita estava sendo usada por gangues para estocar arma e transformar crianças em escudos humanos.

Centenas de pessoas se reuniram no local para impedir a invasão. Há relatos de que as forças de segurança dispararam indiscriminadamente contra a multidão, o que governo nega. O regime tem atribuído os atos de violência a "desordeiros" que desejam espalhar o pânico entre a população e prometeu investigar as mortes.

Com AP e BBC

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