Gabinete do Egito entrega pedido de renúncia em meio a protestos

Governo afirmou que continuará a cumprir com seus deveres até que uma decisão seja tomada pela junta militar

iG São Paulo |

O gabinete interino do Egito entregou um pedido formal de renúncia à junta militar em meio à onda de violência que toma conta do país, informou nesta segunda-feira a televisão estatal egípcia. Não ficou claro, entretanto, se o conselho militar aceitou ou não a requisição do governo.

Uma fonte ouvida pela Reuters afirmou que o conselho militar egípcio está buscando um acordo com um novo primeiro-ministro antes de aceitar o pedido de renúncia do gabinete de Essam Sharaf. "A fonte disse que nenhum anúncio formal seria feito até que o conselho militar concordasse com um nome. Ele não deu mais detalhes", escreveu a agência.

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AFP
Pessoas ajudam manifestante egípcio ferido durante confrontos com a polícia no terceiro dia de protestos
Segundo a agência oficial Mena, o porta-voz do gabinete Mohamed Hegazy disse que "considerando as difíceis circunstâncias pelas quais o país passa atualmente, o governo continuará a cumprir seus deveres até que uma decisão seja tomada".

O pedido de renúncia do gabinete acontece em meio a violentos protestos que tomam conta do Egito desde o último sábado, devido à insatisfação popular por conta da permanência dos militares no poder desde a deposição de Hosni Mubarak que governava o Egito há mais de 30 anos . Dezenas de manifestantes foram mortos e mais de 1,7 mil ficaram feridos nos confrontos com as forças de segurança.

Os cerca de 100 mil manifestantes da Praça Tahrir comemoraram o pedido de demissão ao anoitecer e gritaram "Deus é maravilhoso" enquanto batiam em tambores. Mas eles não deram nenhum sinal de que vão encerrar os protestos até que os militares deixem completamente o poder nas mãos de um governo civil.

O Conselho Supremo das Forças Armadas, liderado por Hussein Tantawi, não anunciou se iriam aceitar a demissão em massa. Muitos egípcios veem  o governo do premiê Essam Sharaf como uma mera fachada colocada pelos militares para poderem comandar silenciosamente o país. 

A raiva, no entanto, tem sido desviada aos próprios generais, os quais são acusados por muitos ativistas de agir tão abusivamente quanto o regime de Mubarak e com a mesma intenção de se manter no poder.

Os tumultos ocorrem a apenas uma semana do Egito dar início às eleições parlamentares, que marcaria uma transição a um governo democrárico. Ativistas, entretanto, acreditam que não importa quem vença a votação, pois os generais continuarão no domínio assim como fizeram com Sharaf. Os militares afirmam que entregarão o poder somente depois das eleições presidenciais, que deverá acontecer no final de 2012 ou início de 2013.

Também nesta segunda-feira, o ministro da Cultura do Egito, Emad Abu Ghazi, renunciou em protesto contra a repressão das manifestações realizadas na Praça Tahrir, no Cairo. "Apresento minha demissão para protestar contra a maneira com que o governo tratou os últimos eventos na Praça Tahrir", afirmou.

A polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, espalhados em pequenos grupos na praça e seus arredores, que respondiam com pedras.

EUA 'preocupados'

Os Estados Unidos manifestaram sua "profunda preocupação" com os novos episódios de violência no Egito, pediram "moderação" às partes e afirmaram que esperam que a transição democrática seja mantida.

"Estamos profundamente preocupados com a violência", declarou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. "Pedimos a todas as partes que (tenham) moderação", acrescentou, indicando que é "importante que o Egito siga avançando" em uma transição democrática.

Com AP, AFP e Reuters

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