G8: Potências e bancos prometem US$ 40 bilhões à Primavera Árabe

Promessa equivalente a R$ 64,6 bi tem objetivo de financiar transição democrática; R$ 32,3 bi irão para Tunísia e Egito em 3 anos

iG São Paulo |

O G8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo mais Rússia) e bancos de empréstimo internacional têm a intenção de fornecer US$ 40 bilhões (R$ 64,6 bilhões) para financiar os países árabes que tentam estabelecer sistemas democráticos, anunciaram autoridades no encontro do G8 no balneário de Deauville, no norte da França. Inicialmente, porém, serão dados US$ 20 bilhões (mais de R$ 32,3 bilhões), segundo comunicado do grupo.

Apesar de as autoridades não terem detalhado de onde ou quando o total de US$ 40 bilhões virá nem em que será usado, a mensagem do presidente dos EUA, Barack Obama, e dos outros líderes do G8 pareceu ser um alerta aos regimes autocráticos no mundo árabe de que não receberão auxílio e investimento dos países ricos, enquanto novas democracias são encorajadas a abrir suas economias.

O plano de apoio é um endosso à proposta do presidente dos EUA , Barack Obama, de assistir economicamente os processos de transição no Oriente Médio e no norte da África de modo que esses países possam reformar suas finanças, criar postos de emprego e se integrar ao comércio mundial.

O ministro tunisiano das Finanças, Jalul Ayed disse que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, sugeriu o pacote global de US$ 40 bilhões durante os encontros. A França, que exerce a presidência rotativa do G8, convidou para a reunião de Deauville os chefes de governo da Tunísia, Beji Caid Essebsi, e do Egito, Esam Sharaf, países pioneiros do mundo no caminho árabe para a democracia.

Mas uma autoridade francesa disse que os US$ 40 bilhões é o objetivo total, mas os montantes para cada país e o cronograma ainda estão sob discussão. O comunicado do grupo disse que US$ 20 bilhões de bancos de desenvolvimento internacionais poderão ir para o Egito e a Tunísia durante os próximos anos. Além do financiamento institucional, disse uma autoridade francesa, o objetivo são mais US$ 20 bilhões de apoio bilateral dos membros do G8, dos ricos Estado do Golfo Pérsico e de outros.

"As mudanças em andamento no Oriente Médico e norte da África são históricas e têm o potencial de abrir as portas para o tipo de transformação que ocorreu no Centro e no Leste da Europa após a queda do Mundo de Berlim", diz o comunicado.

"Nós, membros do G8, apoiamos fortemente as aspirações da Primavera Árabe, assim como aquelas do povo iraniano", diz o comunicado. "Saudamos a decisão das autoridades egípcias de pedir assistência ao FMI e a bancos multilaterais de desenvolvimento, e o pedido da Tunísia por uma política de empréstimos conjunta e coordenada."

"Nesse contexto, bancos multilaterais de desenvolvimento disponibilizarão US$ 20 bilhões, incluindo 3,5 bilhões de euros do EIB (Banco de Investimento Europeu), para Egito e Tunísia para os esforços das reformas entre 2011-2013", diz o comunicado. "Os membros do G8 já estão em condição de mobilizar apoio bilateral substancial para ajudar nesses esforços. Saudamos o apoio de outros parceiros bilaterais, incluindo da própria região."

Na quinta-feira, o Reino Unido prometeu 110 milhões de libras (cerca de US$ 175 milhões de dólares ou R$ 285 milhões) para impulsionar reformas nos países árabes que passam por uma transição democrática.

Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou em nota ao G8 que estuda fornecer empréstimos de até US$ 35 bilhões (quase R$ 56,6 bilhões) aos países árabes, caso os governos da região peçam ajuda ao organismo. O FMI declara-se disposto a conceder empréstimos aos países importadores de petróleo do Oriente Médio e do norte da África, que necessitam de mais ajuda financeira.

Pressão sobre a Líbia

Os líderes presentes no encontro pediram nesta sexta-feira que o líder líbio, Muamar Kadafi, deixe o poder. "Kadafi e o governo líbio fracassaram em sua responsabilidade de proteger a população líbia e perderam toda a legitimidade", diz um comunicado emitido pelos líderes ao final do encontro. "Ele não tem futuro em uma Líbia livre e democrática. Ele deve partir."

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assegurou ainda que seu país e a França estão unidos em sua determinação de "terminar o trabalho" na Líbia e alcançar a queda de Muamar Kadafi. A declaração foi feita após encontro bilateral com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

"Compartilhamos da mesma análise: Kadafi deve deixar o poder", pois "o povo líbio tem direito a um futuro democrático", disse Sarkozy.

Sarkozy disse também que a campanha militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia será intensificada, enquanto o premiê britânico, David Cameron, anunciou que o Reino Unido enviará helicópteros Apache para reforçar o ataque às forças líbias.

Obama, por sua vez, disse que os dois líderes concordam que foram obtidos progressos na campanha da Otan na Líbia para proteger a população civil, mas que o objetivo da missão não poderá ser cumprido totalmente se Kadafi permanecer no poder. "Estamos de acordo que alcançamos progressos em nossa campanha na Líbia, mas não se pode cumprir o mandato da ONU de proteger os civis enquanto Kadafi permanecer na Líbia dirigindo suas forças rumo a atos de agressão contra o povo líbio", disse.

Obama e Sarkozy também analisaram em seu encontro os movimentos civis no mundo árabe para exigir mudanças políticas e as vias mais adequadas para apoiá-los.

Os dois presidentes falaram ainda sobre a guerra no Afeganistão, o programa nuclear iraniano e o desempenho da economia mundial. Após o encerramento da cúpula do G8, Obama parte rumo à Polônia, a última etapa de uma viagem de seis dias pela Europa que o levou também a Dublin e Londres.

*Com Reuters, AFP e EFE

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