Funerais e orações se convertem em protestos no Bahrein

Morte de manifestantes eleva tensão e impulsiona maior manifestação até agora contra o governo do xeque Hamad bin Isa Al-Khalifa

iG São Paulo |

Os funerais de vítimas de confrontos com a polícia se transformaram, nesta sexta-feira, na maior manifestação até o momento contra o governo do Bahrein, no golfo Pérsico.

Dezenas de milhares de pessoas compareceram aos enterros, muitos carregando cartazes e cantando slogans de oposição ao governo do xeque Hamad bin Isa Al-Khalifa.

AP
Manifestantes protestam durante funeral de jovem na vila de Sitra, no Bahrein

O funeral de duas vítimas - dois homens, de 20 e 50 anos - ocorreu em um bairro xiita de Manama. Os caixões foram envoltos em bandeiras do país e levados em cortejo pelas ruas do bairro. A multidão presente gritava pedindo "justiça, liberdade e monarquia constitucional". Alguns disseram que estão dispostos a sacrificar suas vidas para derrubar o governo.

Pouco depois, as preces de sexta-feira se converteram em mais uma oportunidade de protesto. Em uma mesquita, xiitas gritavam "vitória ao Islã" e morte à família real bareinita.

As pelo menos quatro mortes registradas nos protestos dos últimos dois dias elevaram as tensões no Bahrein. Demandas prévias por reformas constitucionais agora evoluíram para um pedido mais geral, pela remoção da dinastia sunita que governa o país há mais de 200 anos.

Há tanques posicionados em locais estratégicos de Manama. O ministro do Interior, Rashed bin Abdullah Al-Khalifa, disse que os soldados tomariam quaisquer medidas necessárias para preservar a segurança do país.

O Ocidente, por sua vez, instou o governo a ser cauteloso na repressão aos protestos e a promover reformas no pequeno reino, que tem população menor que 1 milhão de habitantes, mas possui valor estratégico: é importante aliado americano no Oriente Médio e abriga uma base da Quinta Frota Naval dos Estados Unidos.

Desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1971, o Bahrein tem registrado tensões entre a elite sunita e a maioria xiita, que se diz marginalizada e reprimida.

Agora, essas tensões ganharam força em meio à atual onda de levantes nos países árabes e muçulmanos, que já levaram à renúncia dos presidentes da Tunísia e do Egito.

Com BBC

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