Fundador acusa serviço de segurança da Jordânia de fechar site

Ataque de hackers acontece um dia depois do Ammonnews, portal mais popular do país, publicar críticas ao regime

AFP |

AP
Garoto da Jordânia segura bandeira nacional durante protesto em Amã contra novo premiê Marouf Al Bakhit (04/02/2011)
O principal site jordaniano de informação, Ammonnews, foi retirado do ar durante horas nesta segunda-feira por ordem dos serviços de segurança da Jordânia, anunciou o redator-chefe, Basel Okoor.

O fechamento do site aconteceu no dia seguinte à publicação, por parte do www.ammonnews.net, de um comunicado de personalidades críticas ao regime.

"O Ammonnews foi totalmente 'hackeado' e fechado. Os únicos que têm capacidade técnica de fazê-lo são os serviços secretos jordanianos", declarou Okoor.

"Recebemos uma mensagem que dizia: 'Vocês estão trabalhando contra os interesses do país, vamos hackeá-los', o que aconteceu minutos mais tarde", acrescentou Okoor.

O Ammonnews já havia anunciado na véspera ter sido alvo de ataques de hackers por ter publicado um comunicado de 36 personalidades pertencentes a grandes tribos jordanianas, coluna vertebral do regime.

O comunicado criticava com violência a crise do poder e a profunda corrupção na Jordânia, acrescentando que "o reino conhecerá mais cerdo ou mais tarde uma revolta popular". Criado em 2006, o Ammonnews é o primeiro portal de informações existente na Jordânia. Desde então, outros 50 apareceram, mas o Ammonnews encabeça as pesquisas de popularidade, com 250 mil visitas diárias.

Revoltas na Tunísia

Desde a renúncia do presidente da Tunísia Zine El Abidine Ben Ali em 14 de janeiro, após protestos de quase um mês no país, vêm ocorrendo várias mobilizações no mundo árabe reivindicando mudanças. Após pressão nas ruas, o Rei da Jordânia Abdullah 2º nomeou Maruf Bakhit como novo premiê do país.

A nomeação, porém, não aquietou os ânimos no país. Na sexta-feira, centenas de jordanianos inspirados nas manifestações da Tunísia e Egito saíram às ruas para protestar contra a indicação de Bakhit e em apoio à população egípcia, que há 14 dias reivindicam a renúncia do presidente Hosni Mubarak.

*Com AFP e AP

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